Paraná

Trabalhadores de obra na PEL 2 denunciam condições precárias e salários atrasados

25 ago 2018 às 18:02

Um exemplo de descaso de uma empresa com os trabalhadores: operários da obra de reconstrução da PEL 2 trabalhavam sem registro em carteira, com salários atrasados e alojados em condições precárias.

O alojamento é na verdade uma casa no jardim Santa Joana. Os colchões são bem velhos e estão danificados. A cama foi feita com pedaços de madeira, por eles mesmos, para não dormir no chão. A geladeira está vazia. O arroz e o feijão vieram de doação.

Essa é a situação de operários contratados na cidade de Imbaú, a quase 200 km de Londrina, para trabalhar na reforma da PEL 2, parcialmente destruída durante uma rebelião em 2015. Parte do grupo não aguentou e voltou pra casa. Restaram 6. Todos dispensados há cerca de 2 semanas, com os salários atrasados e sem o registro em carteira.  

Há quem não tenha recebido o pagamento integral nem de junho. Silvério foi um dos primeiros a chegar em fevereiro. A proposta parecia boa: 100 reais por dia, livre de qualquer despesa, o que não aconteceu na prática. Sem receber, ficou também sem comida.

A responsável pelas obras na PEL 2 é a Servo Construções Civis, de maringá. Com o aditivo, o contrato de R$ 2,4 milhões vai até janeiro de 2019. Já foram pagos R$ 1,7 milhão. Numa reunião no Sindicato dos Trabalhadores nas Indústrias da Construção e do Mobiliário, o representante da empresa alegou não ter condições de fazer o acerto dos trabalhadores e nem de arcar com a manutenção deles.

A maior humilhação pra eles, foi o almoço do dia dos pais. Sem dinheiro para fazer compras, receberam um pé de porco, que estaria estragado, e dorso de frango, a carcaça.

Além de dormir nessas condições, eles estão sem energia elétrica. Para não ficar no escuro, eles usam velas. E, se a conta não for paga na próxima semana, vão cortar também a água. Isso porque mesmo após a dispensa, o empregador fica responsável pelos trabalhadores por mais 30 dias.

Pelas contas do Sindicato, sem multas ou dano moral, a dívida chega a R$ 80 mil. O juiz do trabalho Mauro Paroski determinou o bloqueio de créditos da construtora no valor de R$ 135 mil. Determinou ainda uma fiscalização do Ministério do Trabalho e intimou a PEL 2 a enviar os comprovantes de entrada e saída dos trabalhadores. Tudo o que eles querem é receber e poder voltar pra casa. Só de diárias atrasadas, o José Anastácio tem R$ 2,7 mil. Sem contar os 10 dias em que o filho ficou trabalhando e foi embora sem um centavo. Situação difícil no alojamento e para a família, que está longe.

(Reportagem: Luciane Miyazaki)

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