Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Política

'Bombeiros' e 'incendiários' no epílogo de Moro

26 abr 2020 às 12:10
Por: Estadão Conteúdo

O relógio marcava 18 horas na última quinta-feira, 23, quando o então ministro Sérgio Moro andava em círculos, com o telefone celular grudado no ouvido, no seu gabinete no quarto andar do prédio da pasta da Justiça e Segurança Pública. Trancado ali ao longo da tarde, Moro recebia ligações de autoridades dos três Poderes da República, boa parte delas com "sugestões" e "conselhos" para que deixasse o governo - "um barco que estava afundando, mergulhado em investigações", como descreveu um dos interlocutores.

O celular de Moro recebeu ligações dos presidentes da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), e do Senado, Davi Alcolumbre (DEM-AP). O ex-juiz da Lava Jato ainda conversou com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e colegas do primeiro escalão do governo de Jair Bolsonaro.

Entre um telefonema e outro, Moro conversou ainda com amigos e a mulher, Rosângela, que há tempos vinha sugerindo a ele deixar o governo, conforme relataram pessoas próximas do ministro.

Pela manhã, Moro tinha estado no Palácio do Planalto. Lá, recebeu do próprio Bolsonaro a informação, por volta de 9 horas, de que Maurício Valeixo, seu braço direito e amigo pessoal, seria demitido do comando da Polícia Federal.

No encontro, Moro bateu o pé e ameaçou deixar o governo. Percorreu os 500 metros que separam a Presidência do Palácio da Justiça, nome oficial da sede do ministério, e ali permaneceu trancado no gabinete, até as 18h50.

Outras notícias

"Fizeram conosco, a gente vai fazer com eles", diz Lula sobre EUA

Oposição articula impeachment de Gilmar Mendes após ação contra Zema

Ataques de pitbulls crescem no país e acirram debate sobre leis federais

A sala ocupada de Moro é cercada por estantes com "quilos" de livros jurídicos que o acompanham desde a época da faculdade. Foi ali que passou as oito últimas e decisivas horas como ministro de Bolsonaro.

Do lado de fora do prédio, um batalhão de jornalistas, cinegrafistas e fotógrafos tentavam, pelas frestas de cortinas da construção modernista, flagrar as movimentações do ministro mais poderoso do governo.

"Bombeiros" do Planalto foram acionados para tentar convencer Moro de desistir da ideia de pedir exoneração. Os ministros militares sempre avisaram ao presidente que a demissão do maior símbolo anticorrupção do País poderia significar o início da derrocada do governo.

Ciente disso, uma das enviadas a Moro foi a advogada da família Bolsonaro, Karina Kufa. Ela levou o recado de que o presidente estava convencido a seguir com a ideia da exoneração de Valeixo. O presidente teria ficado irritado, inclusive, com o fato de setores da esquerda terem ironizado a sua suposta impossibilidade de demitir um diretor da Polícia Federal.

Para acalmar Moro, que àquela altura já havia conversado com boa parte das cúpulas da República, Bolsonaro mandou avisar que estava disposto a discutir um nome de "consenso" para a PF. O ministro, no entanto, já não queria mais "negociar". Queria que o presidente "batesse o martelo" e definisse se Valeixo ficaria ou não no cargo.

Moro esperou, mas a resposta definitiva do Planalto não veio. Nenhum novo contato do presidente foi feito, o que deixou o ministro mais insatisfeito.

Mais tarde, já noite, Moro mandou avisar à segurança do Palácio da Justiça que iria descer. O comboio o esperou, como de costume, na garagem. Mas o ministro saiu pela lateral para não ter contato com a imprensa.

Às 20 horas, ele já estava em casa com a família. Ainda aguardava um retorno do Planalto.

Foi dormir com a sensação de que o dia seguinte, sexta-feira, seria o último dos 512 que serviria ao governo de Jair Bolsonaro.

Acordou com a demissão de Valeixo publicada no Diário Oficial da União (DOU), o estopim para anunciar sua decisão de também sair.

Avião da FAB para mulher foi cogitado

Na tentativa de tentar convencer Sérgio Moro a ficar no governo, um trio de "bombeiros" procurou amigos pessoais do ex-ministro e chegou a cogitar o envio de um avião da FAB a Curitiba para levar Rosângela, a mulher de Moro, da capital paranaense a Brasília.

A ideia foi descartada por questões legais. Formado pelo secretário de Comunicação Social da Presidência, Fabio Wanjgarten, a deputada Carla Zambelli (PSL-SP) e o ajudante de ordens Major Cid, o trio achava que a insistência de Moro em deixar o governo pudesse ser mais por fatores pessoais do que políticos.

As tentativas de apaziguar a relação entre Moro e Bolsonaro vararam a madrugada de sexta, sem resultados. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja também

Relacionadas

Política
Imagem de destaque

Saiba o que é a interdição judicial, medida adotada por família de FHC

Política
Imagem de destaque

Cármen segue Moraes e vota para condenar Eduardo Bolsonaro por difamação

Política

Bloqueio em Ormuz não será retirado até que haja acordo com Irã, diz Trump

Política

Eleições 2026: AGU orienta agentes públicos sobre condutas proibidas

Mais Lidas

Cidade
Londrina e região

Jardim Botânico de Londrina reabre após reforma mas divide a opinião de visitantes

Vitrine Revista Cascavel
Cascavel e região

Artesanato: confira como customizar chinelos e garantir uma renda extra!

Cidade
Londrina e região

Mulher que esfaqueou marido conta detalhes da confusão: "Ele me trancava, não deixava eu ver minha família"

Cidade
Cascavel e região

Van escolar que transportava crianças tomba em Cascavel após falha mecânica

Brasil e mundo
Brasil

Candidata ao Miss Cosmo Brasil morre após cair do 13º andar de prédio; namorado foi preso

Podcasts

Podcast Corta Pra Elas | EP 8 | A Trajetória Estratégica de Gustavo Godoy

Podcast Café com Edu Granado | EP 72 | Café com TEA | TEA: Diagnóstico e Intervenção Multidisciplinar | Andresa Bibiano

Podcast Pod Tah | EP 48 | Revolução na estética | Caleb Borges e Lilian Calheiros

Tarobá © 2024 - Todos os direitos reservados.