A narrativa que tenta associar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o PT a organizações criminosas voltou a ganhar tração nas redes sociais em 2026. Impulsionada por postagens e vídeos que afirmam, sem a apresentação de evidências, que o chefe do Executivo defenderia facções como o Primeiro Comando da Capital (PCC) e o Comando Vermelho (CV), a estratégia repete uma tática de desinformação recorrente na política brasileira nas últimas duas décadas.
As alegações já foram rebatidas por agências independentes de checagem e alvos de punição do Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Em pleitos anteriores, a Justiça Eleitoral aplicou multas a parlamentares de oposição por propagarem conteúdos que associavam o partido ao crime organizado sem amparo de provas. A origem desse tipo de discurso remonta às eleições de 2002, quando adversários tentavam vincular o PT às Farc devido à atuação diplomática do governo em negociações de paz na Colômbia.
Com o passar dos anos e o protagonismo da segurança pública no debate eleitoral, as velhas teorias ganharam novas versões focadas na dinâmica das facções nacionais.
Em 2026, a reclassificação do PCC e do CV como organizações terroristas pelo governo dos Estados Unidos acabou sendo instrumentalizada por discursos políticos nas redes, combinando fatos internacionais e interpretações enganosas para inflamar o eleitorado.