Em entrevista exclusiva, a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, alertou para o esvaziamento de temas estratégicos no debate eleitoral deste ano.
Segundo a pesquisadora e professora da Universidade Federal de Campina Grande (UFCG), o foco excessivo nas denúncias político-institucionais tem empurrado o eleitorado para uma falsa dicotomia entre fiscalizar as instituições e planejar o futuro do país.
Entre as prioridades elencadas pela entidade que seguem à margem das campanhas estão o financiamento da ciência, as mudanças climáticas, a transição energética e a exploração de minerais críticos, como as terras raras. A entidade lançou o Observatório das Eleições para tentar engajar os candidatos com mais de uma centena de propostas de políticas públicas, mas Garcia aponta que a adesão das candidaturas — especialmente aos governos estaduais e ao Executivo federal — permanece extremamente baixa.
"O país acaba sendo obrigado a escolher entre discutir a integridade das instituições ou o projeto de desenvolvimento, quando as duas coisas fazem parte de uma mesma agenda."
A dirigente destacou ainda a urgência de debater o preparo do Sistema Único de Saúde (SUS) para novas crises sanitárias, os impactos da inteligência artificial e o acelerado envelhecimento populacional previsto para a próxima década. Para a SBPC, a classe política precisa superar a disputa de versões e incluir a soberania científica e tecnológica no centro do projeto de nação.