Política

Em Davos, Macron diz que tarifas dos EUA contra Europa são 'inaceitáveis'

20 jan 2026 às 18:05

Durante o Fórum Econômico Mundial de Davos, na Suíça, nesta terça-feira (20), o presidente da França, Emmanuel Macron, classificou como "inaceitáveis" as tarifas progressivas sugeridas pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, contra os europeus. Em discurso preparado para o evento, o líder francês defendeu que a Europa não aceite uma "nova subordinação" aos interesses americanos.


Reação contra a coerção comercial

Macron foi enfático ao criticar a postura de Washington, afirmando que não há sentido em ameaçar aliados com barreiras tarifárias. Para o presidente, a atual estratégia de competição dos Estados Unidos busca subordinar a Europa, o que ele considera um movimento sem sentido para o bloco.

Como resposta, o líder francês sugeriu que os países europeus fortaleçam seus mecanismos de retaliação comercial. Macron destacou que o instrumento anticoerção da União Europeia é "poderoso" e defendeu que o continente não deve hesitar em utilizá-lo caso as ameaças se concretizem.

Diversificação e parcerias com Brics e China

Diante do cenário de tensão com os americanos, o presidente francês ponderou a necessidade de a Europa diversificar seus parceiros comerciais. Macron mencionou a importância de construir novas relações com países emergentes, citando explicitamente o grupo Brics.

Além disso, ele ressaltou que os europeus precisam de mais investimentos da China em setores considerados estratégicos. Na visão de Macron, embora o multilateralismo esteja enfraquecido, é "essencial" que os europeus permaneçam comprometidos com a cooperação e a preservação das normas internacionais, alertando que guerras comerciais resultam apenas em perdas para todos os lados.

O desafio da competitividade europeia

Ao analisar o cenário econômico, o presidente francês reconheceu que a competitividade da Europa ainda está atrás da dos Estados Unidos. Ele apontou o baixo investimento privado como um dos principais problemas do bloco, que precisa responder com urgência ao cenário de crescimento lento.

Apesar das críticas internas, Macron defendeu o modelo europeu como um diferencial no mercado global. Segundo o governante, mesmo que a Europa possa ser "lenta" em seus processos, o fato de ser previsível e seguir rigorosamente as leis do Direito constitui uma vantagem competitiva no cenário geopolítico atual.