O presidente Luiz Inácio Lula da Silva iniciou o planejamento das diretrizes do próximo mandato presidencial com o desafio de equilibrar a ampliação de despesas sociais e a manutenção da sustentabilidade das contas públicas.
O pacote de promessas inclui o reajuste no Bolsa Família, a expansão do programa Pé-de-Meia para universitários, a concessão de crédito para microempreendedores e a implementação da tarifa zero no transporte público aos fins de semana.
Para acomodar as novas despesas no orçamento do próximo ano, estimativas oficiais projetam a necessidade de remanejamento de cerca de R$ 20 bilhões, enquanto projeções da Instituição Fiscal Independente (IFI) sinalizam um impacto fiscal significativamente superior ao somar renúncias e gastos autorizados.
A condução da política econômica e a escolha do novo titular do Ministério da Fazenda despontam como definidores do tom do governo para o mercado financeiro e a base aliada. Entre os nomes avaliados para o comando da pasta figuram o vice-presidente Geraldo Alckmin e o governador do Piauí, Rafael Fonteles, não estando descartada a manutenção do atual ministro Dario Durigan.
A definição do comando econômico é considerada estratégica para garantir a governabilidade e coordenar as negociações sobre a execução do Orçamento do próximo exercício financeiro no Congresso Nacional.
Em paralelo à agenda fiscal, o governo apoiará reformas institucionais em tramitação no Poder Legislativo, como a Proposta de Emenda à Constituição articulada pelo presidente da Câmara, Hugo Motta, para instituir o voto distrital misto no país a partir de 2034.
A mudança prevê a divisão das cadeiras parlamentares entre candidatos eleitos por regiões e por listas partidárias fechadas. No campo do Judiciário, o Palácio do Planalto deve chancelar discussões sobre o Supremo Tribunal Federal (STF), incluindo a fixação de mandatos por tempo determinado para ministros e a limitação de decisões monocráticas.