Política

Líderes evangélicos não descartam Flávio, mas mantêm esperança em Tarcísio

24 jan 2026 às 13:29

A pré-candidatura de Flávio Bolsonaro (PL) ao Planalto ainda não é um consenso entre lideranças evangélicas que abraçaram a candidatura de seu pai, Jair Bolsonaro, em 2018 e 2022.


O primeiro pastor a criticar o nome de Flávio foi Silas Malafaia. Aliado de Bolsonaro, o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo disse, ainda em dezembro, que o anúncio da indicação do senador não gerou "empolgação" na direita e que falta "musculatura política". Na última semana, o pastor voltou a criticar a pré-candidatura de Flávio.


Quem divide a mesma opinião de Malafaia diz que o filho de Bolsonaro não teria força política para derrotar Lula. Essas lideranças religiosas apontamainda que as pesquisas de intenção de voto lançadas até o momento mostram que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), teria mais condições para vencer o petista, que deve buscar à reeleição.


O bispo autorizado pelo STF a oferecer assistência religiosa a Bolsonaro também defende o nome de Tarcísio. Robson Rodovalho, da igreja Sara Nossa Terra, diz que não se trata de "preferência", mas de "análise da fotografia política do momento". O líder religioso diz também que a chapa mais "competitiva" é formada pelo governador e a ex-primeira-dama Michelle (PL).


Tarcísio tem dito que não vai disputar o Planalto e que sua prioridade é São Paulo. A declaração ocorre, no entanto, na contramão de movimentações típicas de candidato à Presidência. Na quinta-feira, quando reforçou sua pré-candidatura à reeleição, o governador não citou o nome de Flávio. No dia seguinte, à imprensa, afirmou que vai "trabalhar muito" a favor do filho de Bolsonaro.


Entre as lideranças evangélicas há quem já defenda o nome de Flávio. O senador se reuniu recentemente com integrantes da Assembleia de Deus Ministério do Belém, uma das maiores denominações do país. O UOL apurou que Flávio tem o apoio da igreja assim como seu pai teve. O discurso moderado é apontado como uma das qualidades para conversar com os evangélicos.


A avaliação de quem apoia Flávio hoje é de que o nome do senador tem crescido nas pesquisas. Para o deputado paulista Eduardo Nóbrega (Podemos), ligado à igreja Renascer em Cristo, Tarcísio é citado pela "capacidade" e "competitividade". "Mas, agora, todos têm visto o crescimento de Flávio nas pesquisas, como ele está se consolidando", afirma.


Em pesquisa divulgada nesta semana, Flávio pontuou mais que Tarcísio em cenário de primeiro turno. Segundo levantamento Atlas/Intel, em um cenário sem o governador, o senador fica com 35% das intenções de voto, contra 48,8% de Lula. Já Tarcísio, em um cenário sem Flávio, fica com 28,4%, contra 48,5% do petista. No segundo turno, ambos marcam 45% contra Lula.


Nóbrega admite que apoiava uma candidatura de Tarcísio "assim como outros pastores". O parlamentar afirma que hoje o cenário é diferente. Segundo ele, o governador já reafirmou que tentará à reeleição, e que o ex-presidente já fez sua indicação para 2026.


Articulador da pré-campanha de Flávio, Filipe Sabará diz que o senador tem recebido apoio. "O único líder evangélico, totalmente isolado quanto a este assunto, é o Malafaia, que inclusive está sendo muito criticado pelos próprios evangélicos por causa do péssimo e lamentável posicionamento dele", afirma.


O apoio da Assembleia de Deus Madureira ainda é um mistério. Em 2022, a igreja do bispo Samuel Ferreira apoiou publicamente à reeleição de Bolsonaro, além de receber o então presidente nas festividades. No fim do ano passado, o líder visitou e orou por Lula no Planalto.


Flávio nas igrejas

Ainda em pré-campanha, Flávio tem reforçado sua ligação com a igreja evangélica. Logo após anunciar que foi indicado ao pai para concorrer às eleições, o senador visitou igrejas e reforçou a linguagem gospel.


Na reta final do ano, Flávio visitou a igreja Batista da Lagoinha, em Orlando, nos Estados Unidos. Nas redes sociais, o pré-candidato compartilhou o vídeo do momento em que recebe uma oração "para se reconciliar com Deus". A reza foi feita pelo pastor André Valadão, que disse à Folha de S.Paulo não ter convidado o senador. "Não sou bolsonarista e nunca fui. Não sou ligado a nenhum candidato", disse.


Nesta semana, Flávio se batizou no Rio Jordão, em Israel. O momento foi compartilhado por ele e pela esposa, Fernanda Bolsonaro, que também desceu às águas.


A ideia é replicar a estratégia feita pelo ex-presidente em 2022. Ao longo da campanha, Bolsonaro marcou presença em congressos das maiores igrejas do país. Ao lado de Michelle, que sempre fazia orações e compartilhava uma palavra com fiéis, o então candidato à reeleição recebia aplausos —em poucas oportunidades, ele decidiu falar com a igreja.


Sabará diz que Flávio tem encontros marcados com lideranças religiosas para o próximo mês. Segundo o IBGE, 27% da população brasileira se declara evangélica. Este eleitorado tem atraído cada vez a atenção de candidatos, que buscam se conectar e, claro, conseguir votos.