Enquanto a bancada do PT no Congresso se divide sobre uma eventual troca na liderança do governo no Senado, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva optou por travar a decisão. O recuo ocorre após a Polícia Federal (PF) deflagrar uma operação que teve como alvo o senador Jaques Wagner (PT-BA). O chefe do Executivo deve ouvir o aliado pessoalmente antes de chancelar qualquer mudança.
Lula planeja realizar uma reunião presencial com o parlamentar baiano na próxima semana. A avaliação do Palácio do Planalto é de que o cenário político, atrelado ao desdobramento das investigações, é considerado crucial para mitigar ruídos institucionais em pleno ano eleitoral.
Em entrevista à BandNews TV, Jaques Wagner rechaçou a possibilidade de deixar o posto de líder e assegurou que sua pré-candidatura ao governo da Bahia segue mantida. Nos bastidores do partido, contudo, a permanência é contestada. Interlocutores já sinalizaram a Lula a necessidade de substituição e sugeriram o nome do senador Camilo Santana (PT-CE), ex-ministro da Educação, para assumir a articulação e destravar pontes com o presidente da Casa, Davi Alcolumbre.
Investigação mira suposto esquema de R$ 3,5 milhões
A crise política foi desencadeada pela deflagração da 9ª fase da Operação Banco Master pela PF. O inquérito apura um esquema de desvios financeiros estimado em mais de R$ 3,5 milhões. Wagner é suspeito de participação em irregularidades contratuais envolvendo a instituição financeira e o empresário Daniel Vorcaro.
A ofensiva busca esclarecer movimentações financeiras consideradas atípicas pelas autoridades, incluindo transações de valores em espécie que totalizam R$ 481 milhões. A Justiça Federal investiga se o montante tem origem em redes ilícitas.
Defesa e cúpula do PT reagem
Em nota oficial, a assessoria jurídica de Jaques Wagner reiterou que o senador não é réu e não foi formalmente denunciado ou acusado em nenhum processo correlato. O texto esclarece que um apartamento de luxo citado nos relatórios da PF, situado em área nobre de Salvador, jamais integrou o patrimônio do político. O líder governista nega taxativamente o recebimento de repasses ilegais do Banco Master ou de Vorcaro.
A cúpula do Partido dos Trabalhadores blindou o congressista. O presidente nacional da sigla, Edinho Silva, posicionou-se publicamente em defesa de Wagner, manifestando "plena confiança" na conduta do correligionário.
Apesar do respaldo partidário, a manutenção do posto é vista como um ponto de extrema sensibilidade para o Planalto, que enfrenta dificuldades crônicas na pauta de votações do Congresso e busca blindar a agenda econômica de escândalos policiais.