O presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta, demonstrou preocupação com a decisão dos Estados Unidos de classificar as facções criminosas brasileiras Comando Vermelho (CV) e Primeiro Comando da Capital (PCC) como organizações terroristas. Em entrevista concedida desta segunda-feira (1º) durante o Fórum de Lisboa, em Portugal, o parlamentar destacou que o avanço do crime organizado no Brasil exige leis mais duras, mas defendeu que o país precisa preservar sua autonomia para resolver o problema.
O deputado pontuou que o Congresso Nacional precisa garantir um arcabouço legal forte para que as polícias de ponta tenham condições de combater o crime de forma eficiente. No entanto, ao avaliar a medida adotada pelo governo norte-americano, ele reforçou que a soberania do Brasil não pode ser colocada em xeque e que o cuidado com o território e com as próprias leis nacionais deve ser prioridade máxima.
A reação do chefe da Câmara acontece após o Departamento de Estado dos EUA anunciar que vai incluir as duas facções na lista de Organizações Terroristas Estrangeiras. A medida foi oficializada com base na Lei de Imigração e Nacionalidade daquele país e por meio de uma ordem executiva do presidente Donald Trump. No comunicado oficial, o secretário de Estado norte-americano, Marco Rubio, classificou os dois grupos como as organizações mais violentas do Brasil, determinando que as sanções comecem a valer nos próximos dias desta segunda-feira (1º).