Mais de um terço dos eleitores que pretendiam votar em Flávio Bolsonaro (PL) para a presidência em 2026 avalia negativamente o episódio em que o senador pediu dinheiro a Daniel Vorcaro. Entre esse grupo, 37% disseram que Flávio agiu mal, 53% que agiu bem e 10% não souberam opinar.
Os dados são de pesquisa Datafolha divulgada nesta terça-feira (23) e realizada nos dias 20 e 21 de maio com 2.004 entrevistas presenciais em 139 municípios.
A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, com nível de confiança de 95%. O levantamento está registrada no TSE sob o número BR-07489/2026.
Conhecimento e confiança
Entre os eleitores de Flávio, o conhecimento do caso é superior à média nacional: 72% afirmaram saber das conversas divulgadas, ante 64% do total da amostra. Ainda assim, após tomar conhecimento do episódio, dois terços (67%) disseram que a confiança no pré-candidato do PL não mudou. Para 18%, a confiança diminuiu, e para 14%, aumentou.
O índice de confiança estável é mais alto entre as mulheres do grupo (73%, ante 62% dos homens) e entre os moradores do Sudeste (69%), em comparação com os do Nordeste (56%). Eleitores de Flávio que desaprovam o governo Lula também tendem mais a manter a confiança no senador (70%, ante 49% entre os que aprovam o governo).
Candidatura
O caso abalou a campanha do indicado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) para ser o representante do bolsonarismo no pleito de outubro. A pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (22) mostra que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) abriu nove pontos de vantagem sobre o principal oponente no primeiro turno.
Apesar da divisão na avaliação da atitude, o apoio à continuidade da candidatura de Flávio é quase unânime dentro do seu próprio eleitorado: 88% acreditam que ele deve permanecer na disputa, e apenas 10% defendem que ele deveria desistir e apoiar outro nome.
Se o senador optar por não concorrer, 60% dos seus eleitores preferem que ele transfira seu apoio a Michelle Bolsonaro. A ex-primeira-dama aparece bem à frente dos demais nomes entre esse grupo, que também cita Romeu Zema (Novo) e Ronaldo Caiado (PSD) como alternativas, em proporções bem menores.
No universo geral de eleitores, Michelle também lidera como preferência de apoio caso Flávio desista, com 39%, seguida por Zema e Caiado, ambos com 17%, e Eduardo Bolsonaro, ex-deputado autoexilado nos EUA, com 10%.
Dados da mesma pesquisa mostra que um terço dos eleitores não souberam do caso entre o senador e o ex-banqueiro, mas que dentro do universo dos que tomaram conhecimento do caso, 66% dizem que o pré-candidato agiu mal.