A introdução da dança na primeira infância vai muito além do aprendizado de passos clássicos e do ritmo musical. Em entrevista ao programa Vitrine Revista, a professora de balé Fernanda Souza explicou como a prática contribui de forma abrangente para o desenvolvimento motor, cognitivo, emocional e social dos pequenos. Desmistificando a idade limite para início, a especialista destacou que é possível começar a trabalhar com crianças a partir de um ano e meio, momento em que a dança atua no fortalecimento da postura corporal, do equilíbrio e da coordenação motora.
Para ensinar alunas tão jovens, o método baseia-se na ludicidade e na associação de ideias, transformando passos complexos em brincadeiras lúdicas - como a "posição da coroa" para alinhar as costas ou a "hora do chá" para executar movimentos de elevação. Além dos aspectos físicos, a rotina de aulas estimula fortemente a disciplina, a concentração e a socialização, ajudando crianças que ainda não frequentam a escola a perderem a timidez e a ganharem confiança e autonomia em grupo.
O processo pedagógico também envolve diretamente o suporte familiar, já que a presença das mães no início das aulas ajuda a construir um ambiente seguro para os alunos. O impacto positivo no comportamento e no foco das crianças consolida o balé infantil como uma ferramenta transformadora, capaz de unir o estímulo físico à sensibilidade artística desde os primeiros passos da infância.