O PA (Pronto Atendimento) do Jardim Leonor, localizado na zona oeste de Londrina, foi alvo de intensas reclamações e denúncias por parte dos pacientes na tarde desta terça-feira (30). Usuários do serviço público de saúde entraram em contato com a reportagem para manifestar indignação com a demora no atendimento, que, em alguns casos, chegou a ultrapassar o período de nove horas de espera.
No local, a equipe de reportagem constatou o clima de revolta na sala de espera. Havia relatos de pessoas que chegaram no início da manhã e que, até o fim da tarde, ainda não haviam recebido assistência médica.
A técnica em enfermagem Katia de Castro, que chegou à unidade às 11h, relatou ter perdido a sua chamada por uma diferença de poucos minutos enquanto conversava com a equipe, sendo orientada a reiniciar todo o processo de triagem. "Um total descaso com a população, que sai de casa passando mal", desabafou.
Outro relato crítico veio da professora Ivani Aquino, que acompanhava a filha de 16 anos com forte dor de garganta. Ela afirmou estar na unidade desde as 13h50 sem qualquer previsão de consulta e cobrou uma resposta das autoridades competentes. Segundo Ivani, a situação se estendia a outros pacientes, incluindo um imigrante venezuelano que aguardava desde as 9h da manhã para ser chamado. Diante da precariedade relatada, os usuários direcionaram críticas explícitas à gestão do prefeito Tiago Amaral.
A disparidade entre a realidade dos pacientes e os dados oficiais também chamou a atenção. O painel informativo do PA, instalado para monitorar o tempo de triagem e consulta, apontava um total de 72 pacientes aguardando atendimento, com um tempo estimado de espera de 2 horas e 33 minutos para casos de baixa prioridade. No entanto, o tempo exibido na tela não correspondia ao cenário caótico vivenciado pelas dezenas de pessoas retidas na recepção.