A pecuária leiteira brasileira apresenta uma pegada de carbono significativamente inferior à média global, segundo um estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP) em parceria com a Embrapa. A pesquisa analisou 28 fazendas em sete estados e constatou que a emissão por litro de leite no Brasil é de 1,19 kg de CO2 equivalente. O índice é menos da metade da média mundial, que atinge 2,5 kg.
O resultado é atribuído à eficiência produtiva e ao investimento em tecnologia nas propriedades nacionais. De acordo com a veterinária Laís Abreu, o cálculo considera desde os insumos utilizados até o descarte de animais. A melhoria genética, o manejo adequado de dejetos e a nutrição balanceada permitem que o gado produza mais em menos tempo, reduzindo o impacto ambiental por unidade de produto gerada.
Na prática, o trabalho de pecuaristas como o agrônomo João Felipe Roriz exemplifica essa tendência. Em sua propriedade em Goiás, o investimento em genética com doadoras da raça Gir Leiteiro garante uma média de 33 litros de leite por dia por animal. O produtor ressalta que oferecer condições para a vaca expressar seu potencial superior entrega resultados melhores tanto para o faturamento quanto para a sustentabilidade do negócio.
A pesquisa reforça que a eficiência financeira caminha junto com a preservação ambiental no campo. Ao utilizar ferramentas tecnológicas para otimizar a reprodução e o trato do rebanho, as fazendas brasileiras conseguem se destacar positivamente em indicadores de sustentabilidade, assegurando a perenidade do agronegócio para as próximas gerações.