Pesquisas conduzidas pela Universidade de Brasília (UnB) em parceria com o setor privado estão transformando plantas do cerrado e ervas medicinais em medicamentos de alta precisão. O projeto utiliza o cultivo próprio em uma propriedade rural no Distrito Federal, onde são produzidas mais de 40 espécies, como espinheira-santa, hibisco, babosa e camomila. O objetivo é isolar princípios ativos naturais para criar formulações personalizadas em farmácias de manipulação.
A tecnologia aplicada ao campo permite que plantas comuns, como o açafrão, ganhem potência terapêutica elevada. Ao processar a cúrcuma, pesquisadores extraem a curcumina, um composto com forte capacidade anti-inflamatória. O insumo é transformado em pó ou líquido viscoso para facilitar a absorção pelo organismo. Diferente dos temperos vendidos em mercados, esses extratos concentrados são comercializados apenas com prescrição médica.
O doutor Rogério, pioneiro no setor de manipulação no Brasil e proprietário da rede de farmácias envolvida, afirma que o controle científico é rigoroso desde o plantio até o laboratório. "Toda vez que essa avaliação é feita e a dose é prescrita e individualizada, a sua chance de sucesso é muito maior", explica. O laboratório produz diariamente cerca de 500 formulações baseadas em princípios ativos vegetais, minerais e animais.
Especialistas destacam que o potencial da flora brasileira, especialmente a do bioma cerrado, ainda é vasto e pouco explorado. O avanço tecnológico permite descobrir novos usos para plantas milenares, integrando o conhecimento tradicional à literatura científica moderna. A expectativa é que as pesquisas continuem avançando para identificar novos compostos que possam favorecer a saúde pública e fortalecer a bioeconomia nacional.