Campo Vivo

Tecnologia e bem-estar elevam produção leiteira no campo

12 jun 2026 às 21:00

Na segunda reportagem da série especial "Do Campo à Mesa: O Caminho do Leite", você vai conferir uma etapa fundamental para o sucesso de toda a cadeia leiteira: a ordenha e o armazenamento. Esse processo exige um tripé rigoroso de cuidados, higiene e controle de temperatura para garantir que o alimento chegue com total segurança biológica até a mesa do consumidor.


Seja por meio do manejo manual ou da ordenha mecânica, o segredo da excelência começa antes mesmo de ligar os aparelhos. Quem explica o passo a passo é o produtor rural Valdeir Martins, que detalha a rotina rigorosa de assepsia realizada assim que o animal entra na linha de produção da fazenda.


"Nós fazemos a limpeza completa e a desinfecção dos tetos da vaca, um processo conhecido no setor como pre-dipping. Em seguida, esgotamos três jatos de cada teto dentro de uma caneca de fundo preto para monitorar se não há nenhuma inflamação, como a mastite (infecção no úbere). Se estiver tudo correto, colocamos a teteira mecânica", esclarece o produtor.


Com o uso da tecnologia no campo em Londrina e região, o operador não tem mais contato manual com o produto, que é conduzido diretamente por tubulações fechadas de aço inox até os tanques de resfriamento. Esse sistema isolado protege o líquido contra impurezas do ambiente, como pelos ou insetos, e evita que a gordura do leite absorva odores externos.


Produtividade e bem-estar animal

Na propriedade de Valdeir, a ordenha é realizada duas vezes ao dia, utilizando matrizes das raças Holandesa e Jersey, que são referências mundiais em genética para a atividade leiteira. A eficiência do manejo se reflete nos números: a média do local varia entre 35 e 40 litros de leite por vaca ao dia, mas o produtor destaca que há lotes de alta performance na região que chegam a alcançar marcas expressivas de 60 litros diários.


O comportamento calmo e dócil dos animais chama a atenção no galpão, um resultado direto da política de bem-estar animal adotada na fazenda. "Se você quer um leite de boa qualidade, tem que tratar os animais com carinho. A vaca sabe que ao entrar aqui ela vai ser aliviada do incômodo do úbere cheio, então ela entra tranquila", pontua Valdeir.


Automação e choque térmico no resfriamento

A modernidade do sistema também impressiona pela automação industrial. Todo o processo operacional é monitorado por um sistema de computador, que registra o tempo de ordenha e o volume exato produzido por cada cabeça de gado. Além disso, as teteiras e tubulações passam por um ciclo automático de autolimpeza com soluções químicas aquecidas por cerca de meia hora, garantindo a desinfecção total para a próxima jornada de trabalho.


Outro grande diferencial tecnológico está no resfriador de placas. O leite, que sai do corpo da vaca a uma temperatura de 36°C, passa por um sistema de cruzamento com água gelada e cai instantaneamente no estocador a apenas 4°C. O equipamento inteligente monitora o armazenamento e liga o motor automaticamente caso o leite suba apenas um grau, mantendo a temperatura ideal de conservação e impedindo a proliferação de bactérias.


Da pasteurização ao próximo passo

Na própria agroindústria da propriedade, o leite da ordenha da manhã é somado ao do período da tarde. O volume total passa pelo equipamento de pasteurização para a eliminação de patógenos, é envasado em pacotes ou garrafas e fica pronto para a distribuição no comércio local já no dia seguinte.


Com o encerramento do ciclo da ordenha, a série jornalística avança para a sua próxima parada. No terceiro episódio de "O Caminho do Leite", você vai acompanhar em detalhes o passo a passo da produção de queijos, mostrando a transformação da matéria-prima recém-ordenhada em um produto final cheio de sabor, técnica e tradição regional.

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