A Câmara dos Deputados discute um projeto de lei que propõe a quebra de patentes, ou licença compulsória, de duas canetas emagrecedoras, com o objetivo de tornar os medicamentos mais acessíveis à população e reduzir o contrabando vindo de países vizinhos, como o Paraguai. O advogado Renan Quintal explica as implicações jurídicas e sociais dessa medida.
A licença compulsória permite que, em casos de interesse público ou estado de calamidade, o governo autorize a produção de medicamentos por outras empresas, mediante pagamento de royalties à detentora da patente, eliminando sua exclusividade. A proposta gera polêmica pelo uso do regime de urgência, que acelera a tramitação e reduz etapas de debate técnico e audiências públicas, levantando críticas de setores que defendem análise mais detalhada sobre riscos à saúde e real necessidade pública.
Especialistas também alertam para os riscos do uso indiscriminado. A maior oferta no mercado pode estimular o consumo sem prescrição médica, ignorando efeitos colaterais graves e mortes já relatadas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa).
O advogado ainda reforça que no campo jurídico, a quebra de patentes preocupa empresas estrangeiras e investidores, que podem interpretar a medida como precedente de insegurança legal, prejudicando futuros investimentos em inovação farmacêutica.