Em alusão ao Dia das Crianças, a educadora parental Morgana Rôa participou de uma entrevista especial para abordar as razões pelas quais educar os filhos tem parecido uma tarefa cada vez mais exaustiva para as famílias atuais. Segundo a especialista, a mudança nas estruturas de apoio familiar, associada ao ritmo de trabalho acelerado e ao uso constante de telas, tem dificultado a conexão real entre pais e filhos. O hábito dos adultos de permanecerem conectados a dispositivos móveis durante momentos em família compromete a comunicação clara, resultando em mensagens truncadas que intensificam os conflitos diários com crianças e adolescentes.
Para reverter esse cenário sem exigir mudanças drásticas na rotina, a educadora enfatiza a relevância do tempo de qualidade, que pode ser cultivado em situações simples do cotidiano, como no trajeto para a escola ou durante as compras no mercado. No caso dos adolescentes, que naturalmente buscam pertencimento em outros grupos sociais, a orientação é que os pais façam o movimento inverso: em vez de esperar que o jovem participe apenas do universo dos adultos, estes devem buscar interesse ativo pelo mundo dos filhos, compreendendo seus jogos, filmes e preferências para fortalecer os vínculos.
A especialista ressaltou ainda a importância de educar sem culpa, mantendo um equilíbrio entre firmeza e gentileza ao impor limites saudáveis, que garantem segurança emocional e social aos jovens. Para gerenciar a exaustão parental, Morgana aconselha o abandono da expectativa de perfeição, a divisão das tarefas com outros cuidadores e o controle das próprias emoções antes de agir. Ao adotar a autorregulação emocional em momentos de tensão, os pais conseguem responder às demandas dos filhos com mais calma, criando um ambiente familiar acolhedor e equilibrado.