Tarobá Cidade

Empresária de Cambé realiza sonho da adoção de duas irmãs após seis anos de espera

05 jan 2026 às 15:32

Após seis anos na fila de adoção, a empresária Priscila Camilotti, moradora de Cambé (PR), viveu a realização de um sonho ao adotar duas irmãs. A história evidencia os desafios do processo de adoção no Brasil, a longa espera na fila oficial e a importância de ampliar o olhar para crianças mais velhas e grupos de irmãos.


Mesmo já sendo mãe biológica, Priscila conta que o desejo de adotar surgiu da vontade de ampliar a família e transformar vidas. Inscrita no sistema desde 2019, ela aguardou seis anos até que o processo fosse concluído. Durante esse período, precisou lidar com expectativas, avaliações e etapas obrigatórias previstas pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA).


Um dos pontos decisivos foi a escolha do perfil. Priscila optou por manter flexibilidade, incluindo a possibilidade de adotar grupos de irmãos, realidade que ainda enfrenta maior dificuldade no sistema de adoção. Segundo especialistas, essa decisão contribuiu para que o processo avançasse, já que crianças mais velhas e irmãos costumam permanecer mais tempo nos abrigos.


A advogada Amabili Borges, especialista em Direito de Famíllia, explica que a adoção no Brasil é um procedimento naturalmente demorado porque prioriza, antes de tudo, a segurança e o bem-estar da criança. 


Apesar de frequentemente criticada, a rigidez do ECA é apontada como essencial para evitar irregularidades e crimes, como o comércio ilegal de crianças. A adoção só pode ocorrer por meio da fila oficial, garantindo transparência e proteção aos direitos dos menores.


Os primeiros dias das meninas na nova casa foram marcados por adaptação e desafios. Priscila relata que o processo exige paciência, acolhimento e compreensão dos traumas vividos anteriormente pelas crianças. A chegada das novas irmãs também impactou positivamente a dinâmica familiar, com o apoio e a receptividade da filha biológica de 14 anos.


Especialistas alertam que um dos principais entraves da adoção no país está no perfil desejado pelos pretendentes. A maioria busca bebês, enquanto milhares de crianças mais velhas e adolescentes seguem aguardando por uma família. A ampliação desse olhar é vista como fundamental para reduzir o tempo de espera e garantir o direito à convivência familiar.


Para quem deseja iniciar o processo de adoção, o primeiro passo é procurar a Vara da Infância e Juventude ou o fórum da cidade para se inscrever no Sistema Nacional de Adoção e Acolhimento (SNA). A partir daí, os interessados passam por entrevistas, cursos preparatórios e avaliações psicossociais.


A história de Priscila Camilotti reforça que, apesar da espera e dos desafios, a adoção é um caminho possível de amor, reconstrução e novas oportunidades, tanto para quem adota quanto para quem é adotado.


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