As tentativas de feminicídio com o uso de fogo registraram um aumento de 77% no Brasil entre 2024 e 2025, segundo levantamento do Neias (Observatório de Feminicídios de Londrina). Os dados acendem um alerta para uma das formas mais violentas de agressão contra mulheres, marcada pela elevada taxa de mortalidade, pela premeditação dos crimes e pelas consequências que frequentemente atingem outras pessoas além da vítima.
Na região de Londrina, foram contabilizados 39 casos, entre tentativas e feminicídios consumados. De acordo com a representante do observatório, Silvana Mariano, a utilização do fogo revela um alto grau de crueldade e desprezo pela vida das mulheres.
Segundo a pesquisadora, nesses casos o objetivo do agressor vai além de provocar a morte. A prática estaria associada à intenção de desfigurar e destruir a identidade da vítima, em uma manifestação extrema de violência motivada pelo desejo de controle e submissão.
Silvana também destaca que é comum a tentativa de apresentar essas ocorrências como acidentes domésticos. No entanto, as investigações apontam que a maioria dos casos é premeditada, com o agressor recorrendo ao fogo como instrumento de intimidação e demonstração de poder.
Outro fator que preocupa especialistas é o potencial destrutivo das chamas. Diferentemente de outros métodos, o fogo pode se espalhar rapidamente e atingir familiares, crianças, adolescentes e até moradores de imóveis vizinhos, ampliando os riscos e as consequências da violência.
O estudo aponta ainda que a taxa de mortalidade nesse tipo de tentativa de feminicídio supera 46%. O índice, porém, apresenta redução significativa quando há intervenção imediata de terceiros, como familiares ou vizinhos, que conseguem socorrer a vítima ou interromper a ação do agressor.