Vitrine Revista Londrina

Confira os possíveis reflexos de acontecimentos geopolíticos mundiais no Brasil

16 mar 2026 às 16:52

Na TV e nas redes sociais, o assunto do momento tem sido a guerra e a crise global, que geram muita preocupação e incertezas sobre o futuro da economia mundial e da economia do Brasil. Para entender mais sobre isso e os reflexos de acontecimentos geopolíticos globais no Brasil, o Vitrine Revista recebeu o advogado e professor de Direito Internacional Cláudio Moreno.


O convidado explica que conflitos como a guerra no Irã são assuntos complexos, que vão além de vídeos de apenas um minuto, e exigem uma contextualização histórica bem embasada e atenta a todos os fatos. O professor destaca que o conflito atual tem influência da Revolução Iraniana (1979), que resultou na queda da República dos Xás — apoiada pelos Estados Unidos — e na ascensão dos Aiatolás, que estabeleceram a República Islâmica do Irã.


Nesse contexto, o professor explica que, desde 1979, o governo iraniano passou a pregar o fim do Estado de Israel, forte aliado dos Estados Unidos. Esses conflitos históricos foram motivadores de inúmeros ataques mútuos no último ano, incluindo ofensivas contra usinas nucleares iranianas, com o objetivo de tentar desmantelar o programa nuclear do país.


A dúvida que muitas pessoas têm quando conflitos como esse acontecem é: como isso afeta o dia a dia no Brasil? O professor destaca que é preciso ter em mente que o Irã é um dos maiores produtores de petróleo do mundo. Qualquer bloqueio ou instabilidade no Estreito de Ormuz é crítico, pois por ali passa grande parte da produção de outros países árabes. O aumento do barril de petróleo — que chegou a patamares de 120 dólares — impacta diretamente o preço do diesel.


Uma consequência clara desse aumento no mercado global é o encarecimento de produtos que dependem de caminhões e trens para transporte pelo Brasil, afetando o preço final para o consumidor.


Para quem pensa além do impacto econômico e teme que a guerra possa chegar ao Brasil, o professor explica que, no momento, isso não é uma realidade. O país mantém relações comerciais importantes tanto com os Estados Unidos e Israel quanto com o Irã, de quem compra e para quem vende produtos. Além disso, o governo brasileiro tende a buscar imparcialidade, para não prejudicar esses laços econômicos bilaterais, embora a decisão final tenha cunho político e estratégico do governo federal.

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