O setor citrícola brasileiro aguarda com expectativa a oficialização do acordo de livre comércio entre Mercosul e União Europeia, prevista para este sábado (17). De acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), o tratado é visto como uma oportunidade estratégica de médio prazo para que o Brasil recupere sua competitividade e volte a ampliar as vendas para o bloco europeu.
A principal chave para essa retomada é a mudança no regime tributário. O pacto prevê a eliminação gradual das tarifas de importação que hoje incidem sobre o produto brasileiro, encarecendo-o nas prateleiras europeias.
Para o suco de laranja não concentrado (NFC), a isenção total deve ocorrer em um prazo de até quatro anos. Já para o suco concentrado congelado (FCOJ), o cronograma é um pouco mais longo, variando de 7 a 10 anos, com mecanismos de salvaguardas e monitoramento constante.
Economia milionária para o setor
A retirada das barreiras tarifárias tem um impacto financeiro direto na cadeia produtiva. Estimativas da CitrusBR (Associação Nacional dos Exportadores de Sucos Cítricos) indicam que a medida deve gerar uma economia acumulada de cerca de US$ 320 milhões apenas nos cinco primeiros anos de vigência do acordo.
De acordo com os pesquisadores do Cepea, esse alívio no custo final é o que pode favorecer a retomada dos embarques para o continente europeu, que historicamente sempre foi o principal parceiro comercial da citricultura brasileira, mas que vem perdendo espaço recentemente.
Os dados mais recentes reforçam a necessidade de novos incentivos comerciais. O balanço dos seis primeiros meses da safra 2025/26 (compreendendo o período de julho a dezembro de 2025) mostra um desaquecimento nas vendas externas. As exportações brasileiras de suco de laranja concentrado totalizaram 423,26 mil toneladas. Esse volume representa uma queda de 5,4% em comparação ao mesmo período da temporada anterior (2024/25), segundo dados da Comex Stat analisados pelo Cepea.
Essa retração acende um sinal de alerta sobre a demanda global e a necessidade de garantir acesso facilitado aos grandes mercados consumidores.
Europa perde liderança para os EUA
Um dos pontos mais chamativos do levantamento é a mudança na geografia do consumo do suco brasileiro. A União Europeia, que tradicionalmente absorvia mais de 60% de todos os embarques nacionais, perdeu o posto de destino número um. Neste primeiro semestre da safra, apenas 41,5% do suco exportado pelo Brasil teve como destino os portos europeus.
Por outro lado, os Estados Unidos assumiram a liderança, recebendo 51,9% do total exportado. Essa inversão de papéis reflete as dificuldades atuais de competitividade na Europa e explica por que o setor considera o acordo Mercosul-UE tão vital para reequilibrar a balança e recuperar a fatia de mercado no velho continente.