Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Agro
Brasil

Ameaça de Trump ao Irã coloca em risco exportações do agro brasileiro

Presidente dos EUA promete taxar quem negocia com o país persa; Brasil enviou 9 milhões de toneladas de milho ao mercado iraniano em 2025
13 jan 2026 às 15:54
Por: Portal Tarobá
Albari Rosa/AEN

O agronegócio brasileiro está em estado de atenção com os desdobramentos geopolíticos que podem impactar diretamente a balança comercial do país. A recente retórica do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçando impor tarifas severas a nações que mantêm relações comerciais com o Irã, acendeu um sinal de alerta entre os exportadores nacionais.


No dia 12 de janeiro de 2026, Donald Trump anunciou uma tarifa de 25% sobre todas as exportações para os EUA de qualquer país que mantenha relações comerciais ("faça negócios") com o Irã. Essa medida foi uma resposta direta aos protestos contra o regime iraniano e à repressão em Teerã.


O país persa é um dos parceiros mais estratégicos para o Brasil no Oriente Médio, especialmente para o escoamento de grãos. O risco de sanções norte-americanas coloca em xeque um fluxo comercial que movimentou cerca de US$ 3 bilhões apenas no último ano.

Outras notícias

China reconhece Brasil como livre de febre aftosa após 20 anos

Mercado do arroz no RS desacelera após colheita e excesso de oferta pressiona negociações

Preço do café arábica despenca em maio com avanço da safra recorde


A força do milho na pauta exportadora


Segundo dados da Associação Nacional dos Exportadores de Cereais (ANEC), o Irã se consolidou como um destino vital para o milho brasileiro. Após uma retomada de crescimento em 2024, quando o Brasil enviou 4,3 milhões de toneladas do cereal ao país, o comércio bilateral deu um salto expressivo no ciclo seguinte. Em 2025, o volume exportado de milho mais que dobrou, ultrapassando a marca de 9 milhões de toneladas.


Esse volume não é apenas estatística; ele representa renda para o produtor rural e garantia de escoamento da safra. Além do milho, a pauta de exportações para o Irã é composta majoritariamente por soja (tanto em grão quanto em farelo), açúcar e carne bovina. Dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) apontam que o complexo de grãos responde historicamente por mais de 80% das vendas ao mercado iraniano.


Entenda o risco das sanções


O mercado internacional opera sob regras complexas de diplomacia e economia. Quando uma potência como os Estados Unidos ameaça "taxar quem negocia" com um país sancionado, cria-se uma barreira indireta. No cenário atual, Trump indicou a possibilidade de aplicar tarifas de até 100% sobre produtos de países que desafiem a hegemonia do dólar ou mantenham suporte econômico a nações rivais, como o Irã.


Para o agronegócio brasileiro, isso significa que continuar vendendo para Teerã pode custar caro nas relações com Washington. O Brasil, historicamente neutro e pragmático, pode se ver forçado a escolher entre manter um cliente fiel (Irã) ou evitar atritos com um dos seus maiores compradores globais (EUA).

Se as ameaças se concretizarem, o milho brasileiro perderia competitividade. Encontrar um novo destino para 9 milhões de toneladas de grãos da noite para o dia não é uma tarefa simples e poderia gerar um excesso de oferta no mercado interno, derrubando os preços pagos ao produtor.


O peso da recuperação econômica

O momento é delicado justamente porque as relações comerciais Brasil-Irã vinham em uma curva ascendente. O ano de 2023 havia registrado um recuo nas trocas, mas 2024 marcou o início da recuperação que culminou nos números robustos de 2025. Analistas de mercado avaliam que a interrupção desse fluxo afetaria não apenas os grandes traders (empresas exportadoras), mas toda a cadeia produtiva, desde o fornecedor de insumos até o transportador rodoviário.


O açúcar e a carne bovina, embora em volumes menores que os grãos, também são itens essenciais na dieta iraniana fornecidos pelo Brasil. A perda desse market share (fatia de mercado) abriria espaço para concorrentes que não sofrem a mesma pressão diplomática ou que possuem acordos bilaterais diferenciados.


Por enquanto, o setor adota cautela. As entidades de classe e o governo brasileiro acompanham se a retórica de Trump se transformará em medida oficial. Até lá, a ordem no campo é continuar produzindo, mas com um olho atento ao noticiário internacional.

Siga a Tarobá no Instagram

Veja também

Relacionadas

Agro
Imagem de destaque

Dados e gestão estratégica pautam 4ªedição do Iagro

Agro
Imagem de destaque

Preço do mamão formosa cai no Norte de Minas com aumento da oferta

Agro

Preço do trigo sobe em maio com menor oferta e retração de produtores

Agro

Preço do etanol cai 14% em maio com maior oferta nas usinas do Centro-Sul

Mais Lidas

Cidade
Londrina e região

Acidente entre caminhões mata jovens na PR-323, em Sertanópolis

Cidade
Londrina e região

Recém-nascido morre em hospital de Ibiporã; família denuncia demora

Brasil Urgente
Londrina e região

Londrina é notificada por fechar Restaurante Popular sem plano B

Brasil Urgente
Londrina e região

Estrada do Limoeiro atrai turistas com feira de pequenos produtores

Brasil e mundo
Brasil

Falsa adolescente é presa após viver mais de um ano com família

Podcasts

Café com Edu | EP 84 | O Verdadeiro Sentido da Prosperidade | Leandro Parra

Café com Edu | EP 83 | Psiquiatria, Diagnóstico e Medicalização | Dra. Ana Cecília

Sem Cerimônia | EP 5 | Harmonização Facial e Naturalidade | Pamela Ribeiro

Tarobá © 2024 - Todos os direitos reservados.