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Besouro invasor que destrói palmeiras ameaça produção agrícola no Brasil

O bicudo-vermelho, inseto exótico que devastou plantações pelo mundo, coloca pesquisadores e produtores brasileiros em alerta máximo
05 abr 2026 às 11:58
Por: Band
Foto: Embrapa Tabuleiros

O avanço de uma nova praga exótica no território brasileiro acende o alerta para a biodiversidade e a segurança do agronegócio. O bicudo-vermelho (Rhynchophorus ferrugineus), um besouro conhecido por destruir plantações de palmeiras em diversos continentes, está no Brasil e autoridades e pesquisadores estão fazendo uma força-tarefa para tentar conter o avanço desta praga nas lavouras. 


Caso o besouro se estabeleça em áreas de cultivo comercial, o impacto será sentido desde os pequenos produtores de coco até as grandes indústrias de extração de óleo de palma (dendê), por exemplo. A presença do inseto compromete a saúde estrutural das plantas, levando, em muitos casos, à morte da palmeira.


A primeira notificação formal da suspeita do bicudo-vermelho no Brasil ocorreu em 2022. O registro foi feito pelo biólogo Francisco Zorzenon, do Instituto Biológico de São Paulo, na cidade de Porto Feliz (SP). Segundo os estudos preliminares, a principal hipótese é que o inseto tenha cruzado a fronteira por meio de palmeiras importadas do Uruguai, país onde a praga já está estabelecida.


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Desde o primeiro alerta, o Instituto Biológico identificou exemplares com características do inseto em amostras coletadas em São Paulo, Minas Gerais e Rio Grande do Sul. O besouro é considerado uma das pragas mais destrutivas para palmeiras no mundo, atacando espécies como a palmeira-real e o coqueiro, o que pode gerar impactos diretos na produção de coco e óleos vegetais.


Alerta do Ministério da Agricultura


Apesar dos registros laboratoriais de institutos estaduais, o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) ainda não confirmou oficialmente a presença definitiva da praga no país. Em nota técnica emitida nesta semana, o órgão afirmou que existem "indícios" da presença do bicudo-vermelho, mas ressaltou que a confirmação depende de análises oficiais em laboratórios credenciados pela rede federal.


Mesmo sem a confirmação final, o governo emitiu um aviso de risco, destacando a possibilidade de prejuízos expressivos para o setor produtivo. A cautela se deve ao fato de que o inseto pode ser facilmente confundido com o bicudo-preto (Rhynchophorus palmarum), uma espécie nativa brasileira que também ataca palmeiras, mas que possui manejo já conhecido pelos produtores.


Como identificar o bicudo-vermelho


A diferenciação entre a espécie invasora e a nativa é fundamental para o controle. Enquanto o bicudo-preto brasileiro é totalmente escuro e geralmente maior, o bicudo-vermelho apresenta manchas avermelhadas características no tórax. Para o produtor rural, essa distinção é o primeiro passo para evitar que o besouro exótico se espalhe pelas áreas de cultivo.


Especialistas explicam que o maior perigo reside no fato de o bicudo-vermelho completar seu ciclo de vida dentro do tronco da árvore. As larvas cavam túneis profundos que interrompem o fluxo de seiva, levando a planta à morte antes mesmo que os sinais externos de infestação fiquem evidentes ao olhar leigo.


A recomendação atual para os produtores é o monitoramento constante das copas das palmeiras. Caso sejam observados sintomas como o amarelamento das folhas centrais ou a presença de insetos com coloração ferruginosa, as autoridades sanitárias locais devem ser notificadas imediatamente para que a coleta técnica seja realizada.


Bicudo vermelho x broca-do-olho


Um ponto crucial para o manejo eficiente é a distinção entre o besouro asiático e a já conhecida broca-do-olho-do-coqueiro (Rhynchophorus palmarum). Embora sejam espécies parecidas e pertençam ao mesmo gênero, o comportamento e a agressividade podem variar, exigindo protocolos de contenção específicos.

A broca-do-olho-do-coqueiro já é uma praga importante nas Américas, conhecida por transmitir o nematoide (um verme microscópico) causador da doença do anel-vermelho. A introdução de uma nova espécie exótica, como o besouro asiático, pode sobrecarregar os sistemas de defesa agropecuária e criar um cenário de crise sanitária sem precedentes para a palmicultura sul-americana.

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