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Canaviais 'secos demais' preocupam o setor de açúcar e etanol

chuvas intensas que ocorreram em todo o estado na semana passada prejudicaram o transporte do grão
19 set 2024 às 09:10
Por: Band
MAPA

A safra 2024/2025 vem sendo marcada por um cenário climático desafiador. No acumulado até agosto deste ano, foram registrados mais de 1.000 mm de déficit hídrico, prejudicando a produtividade dos canaviais da região Centro-Sul. Os dados são do Boletim De Olho Na Safra, divulgado na quarta-feira (18) pelo Centro de Tecnologia Canavieira (CTC).


O indicador de produtividade, que indica quantas toneladas de cana estão sendo colhidas em 1 hectare, no período entre os meses abril a agosto deste ano, mostra uma redução média de 7,4% em relação ao mesmo período da safra anterior, caindo de 93,3 (2023/2024) para 86,4 (2024/2025) no Centro-Sul.


Em agosto, a produtividade média da cana na região Centro-Sul caiu 13,7% frente a igual mês da safra anterior - de 91,2 toneladas por hectare para 78,7 toneladas por hectare.


Outro fator que impactou a produtividade foi o maior estágio médio de corte, demonstrando uma proporção de colheita de canaviais mais envelhecidos e, portanto, menos produtivos.


Já a qualidade da matéria-prima (ATR) se encontra no mesmo patamar da safra 2023/24 considerando os dados acumulados até agosto. O ATR é um índice que mede a quantidade de açúcares totais recuperáveis existente nas plantas.

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Outro parâmetro de qualidade analisado pelo CTC na safra 2024/2025, é a pureza do caldo, que caiu dois pontos percentuais em relação a 2023/24, devido a presença de uma maior concentração de açúcares redutores, reflexo, entre outros fatores, do déficit hídrico.


Cabe destacar o impacto das queimadas nos canaviais em agosto. Levantamento realizado pela equipe CTC Geo, a partir do CanaSat e imagens de satélite da segunda quinzena de agosto, indica que cerca de 400 mil hectares de cana foram atingidos pelas queimadas no Centro-Sul, com maior impacto nas regiões de Ribeirão Preto, São José do Rio Preto e São Carlos.


Os prejuízos causados ainda estão sendo estimados de forma qualitativa. Áreas que já haviam sido colhidas precisarão de novos investimentos em tratos culturais (NPK e herbicidas), ou mesmo roçagem esperando melhor rebrota. Áreas imaturas ou próximas do ponto de colheita estão sendo colhidas às pressas, visando minimizar o impacto na produção e na qualidade.


Essas entre outras medidas prejudicam a sistematização das colheitas das safras atual e futura.

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