O crédito rural empresarial apresentou desempenho positivo no início do Plano Safra 2025/2026. Entre julho de 2025 e janeiro de 2026, os recursos contratados somaram R$ 316,57 bilhões, crescimento de 6% em relação ao mesmo período da safra anterior.
Os valores efetivamente liberados nas contas dos produtores alcançaram R$ 307,11 bilhões, alta de 3%, segundo dados do Sistema de Operações do Crédito Rural e do Proagro (Sicor), do Banco Central.
CPR dispara 37% e ganha espaço no financiamento
O principal destaque foi o avanço das Cédulas de Produto Rural (CPR), que cresceram 37%, totalizando R$ 143,22 bilhões.
Como a maior parte dos recursos via CPR é destinada ao custeio da safra, a soma do custeio tradicional com as CPRs elevou o volume total para R$ 241,38 bilhões, 10% acima da safra 2024/2025.
Com isso, a participação da CPR no total concedido saltou de 34% para 47%, indicando mudança no perfil de captação dos produtores.
Crédito para investimento recua 20%
Em movimento oposto, o crédito para investimento caiu 20%, somando R$ 35,41 bilhões.
Entre os programas, o Programa de Construção de Armazéns (PCA) ficou praticamente estável, com leve retração de 1%.
Já as operações para comercialização totalizaram R$ 20,56 bilhões (-10%), enquanto a industrialização avançou 45%, atingindo R$ 19,22 bilhões, sinalizando maior foco em agregação de valor à produção agrícola.
Cenário de cautela e juros elevados
O ambiente mais restritivo reflete fatores de demanda e oferta.
Do lado dos produtores, houve prioridade para o custeio, essencial à produção imediata.
Já as instituições financeiras adotaram postura mais cautelosa diante das taxas de juros elevadas — a Selic está em 15% ao ano, embora haja expectativa de redução superior a dois pontos percentuais até o fim de 2026.
Fontes de recursos
As fontes controladas somaram R$ 92,26 bilhões (-7%), com destaque para:
-
Recursos obrigatórios: R$ 30,89 bilhões (-6%)
-
LCA controlada: R$ 24,60 bilhões (+4.649%)
-
Poupança rural controlada: R$ 12,73 bilhões (-8%)
-
Fundos constitucionais: R$ 11,74 bilhões
As fontes não controladas registraram R$ 71,63 bilhões (-25%), com destaque para:
-
LCA livre: R$ 37,41 bilhões (-33%)
-
Poupança rural livre: R$ 30,35 bilhões (+21%)
Número de contratos cai 24%
O total de operações firmadas caiu de 445.156 para 337.548 contratos (-24%).
A redução foi mais intensa na agricultura empresarial (demais produtores), com queda de 38%, e nas operações via CPR, que recuaram 14% em número de contratos.
O Pronamp registrou 133.261 contratos, retração de 18%.
Os dados indicam um semestre marcado pelo fortalecimento das CPRs, retração das linhas tradicionais de investimento e maior seletividade no crédito rural, refletindo o cenário de juros elevados e cautela no mercado financeiro.