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Mastite causa prejuízo de R$ 1,2 mil por vaca; veja como evitar a doença

Estudos da UFSM e Embrapa apontam perdas financeiras e queda na qualidade do leite; especialista detalha boas práticas de ordenha para controle da doença
03 jan 2026 às 12:46
Por: Band
Foto: Wenderson Araújo / Trilux

Considerada como o principal desafio sanitário da pecuária leiteira no Brasil, a mastite gera impactos severos que vão muito além da saúde animal, atingindo diretamente o bolso do produtor. Um levantamento recente aponta que as perdas financeiras causadas pela doença podem ultrapassar R$ 1,2 mil por animal afetado, somando o descarte involuntário de leite, custos com medicamentos e a queda na produtividade.


O dado alarmante faz parte de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM). Ao analisarem um grupo de 21 vacas acometidas pela enfermidade, os especialistas identificaram um prejuízo total superior a R$ 25,5 mil.


Esses números reforçam a necessidade urgente de profissionalização no manejo da ordenha para garantir a sustentabilidade econômica da atividade leiteira.

O que é a mastite e como ela afeta o rebanho

A mastite é definida como a inflamação da glândula mamária. Embora seja frequentemente causada por infecções bacterianas, a doença também está ligada a fatores ambientais e falhas no manejo diário.

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 Segundo Renato Coser, especialista em saúde de grandes animais, as práticas de ordenha desempenham um papel decisivo tanto no surgimento quanto na prevenção do problema. “A mastite causa inflamação da glândula mamária, geralmente devido a infecções. No entanto, o manejo inadequado contribui significativamente para o problema”, explica Coser.


O especialista alerta que técnicas incorretas — como coleta brusca, excesso de pressão no vácuo ou falta de higiene — podem causar microlesões nos tetos das vacas. Essas pequenas feridas servem como porta de entrada para patógenos. Além disso, a falta de uma rotina sanitária rigorosa facilita a propagação de bactérias contagiosas entre os animais, transformando um caso isolado em um surto no rebanho.

A importância das boas práticas na ordenha

Para mitigar os prejuízos, a prevenção continua sendo o melhor remédio. A adoção de protocolos rígidos de higiene na sala de ordenha é capaz de reduzir drasticamente a incidência da doença. Entre as medidas essenciais recomendadas por especialistas, destacam-se:


  • Higienização dos tetos: Realizar a limpeza correta antes e depois da ordenha (pré e pós-dipping);
  • Uso de luvas: O ordenhador deve usar luvas descartáveis ou devidamente higienizadas;
  • Ambiente limpo: Manter o local de ordenha seco e livre de barro ou esterco;
  • Manutenção de equipamentos: Revisar periodicamente as borrachas e o nível de vácuo das ordenhadeiras.

Outra estratégia fundamental é a "linha de ordenha". O ideal é priorizar a coleta do leite das vacas saudáveis primeiro. Animais com histórico de mastite ou em tratamento devem ser deixados por último, evitando a contaminação cruzada.

Dados comprovam eficácia da prevenção

A correlação entre higiene e lucro é comprovada por diversas instituições de pesquisa. Um estudo da Embrapa Gado de Leite, realizado em 91 fazendas no sudeste do Pará, mostrou resultados positivos após a implementação de boas práticas. A pesquisa revelou que a limpeza regular das linhas de leite e a lavagem adequada dos tetos resultaram na redução da Contagem de Células Somáticas (CCS).


A CCS é um dos principais indicadores de qualidade do leite: quanto menor o número, melhor a saúde do úbere da vaca e maior a qualidade do produto final. No Paraná, um levantamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL) em 49 propriedades de Ivaiporã reforçou essa tese. A simples adoção de higiene na ordenha reduziu a contagem bacteriana total em 88,05%. O estudo paranaense apontou ainda que, com essas medidas, mais de 83% das fazendas conseguiram enquadrar sua produção nos padrões normativos de qualidade exigidos pela indústria.

Tratamento e sustentabilidade

Quando a prevenção falha, o tratamento rápido é essencial para evitar a cronificação da doença. O uso de antibióticos intramamários, como o sulfato de gentamicina, é indicado para combater agentes como Staphylococcus aureus e Escherichia coli. No entanto, o foco do produtor deve permanecer na gestão preventiva.


“Investir em higiene, treinamento das equipes e ordenha cuidadosa protege a saúde das vacas e garante leite de qualidade. Esse cuidado faz diferença tanto para o bem-estar animal quanto para a rentabilidade”, conclui Renato Coser.

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