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Nova avaliação seleciona bovinos de corte para eficiência alimentar

08 set 2023 às 09:45
Por: Assessoria de imprensa
Foto: Tchélo Figueiredo/Secom

A partir deste ano, os criadores da raça Angus poderão selecionar reprodutores com capacidade de transmitir características relacionadas à eficiência alimentar aos seus descendentes. Isso porque a Embrapa, em parceria com a Associação Brasileira de Angus, Associação Nacional de Criadores Herd-Book Collares (ANC) e BioData Ciência de Dados, desenvolveu uma nova avaliação genômica que prediz a capacidade de transmissão dessas características pelos progenitores. A tecnologia, em lançamento durante a 46ª edição da Expointer, possibilitará, na prática, que o pecuarista comece a introduzir nos seus rebanhos animais mais eficientes na conversão, em carne, dos alimentos que consomem.


A base de dados para a geração do novo referencial de avaliação genômica foi constituída durante as provas de eficiência alimentar (PEA) desenvolvidas na Embrapa Pecuária Sul (RS) durante os últimos quatro anos, e também pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), pela Central CRV Brasil, pela Verdana Agropecuária e pela Casa Branca Agropastoril. No total, foram 22 provas, com a análise dos dados de 589 animais da raça Angus.


A avaliação genômica é baseada em três novas predições DEPGs (diferença esperada na progênie aprimorada pela genômica) que estão inter-relacionadas: Consumo de Matéria Seca (CMS), Consumo Alimentar Residual (CAR) e Ganho Médio Diário Residual (GMDR).


O CMS é o consumo médio diário de alimento do animal com base na matéria seca, descontando a água presente nos componentes da dieta; o CAR é a diferença entre o consumo de alimento observado e o esperado em função do peso metabólico do animal e do ganho médio diário; o GMDR é a diferença entre o Ganho Médio Diário (GMD) observado para cada animal durante a prova e o estimado com base no consumo de matéria seca e peso metabólico.


As características se relacionam, e, em síntese, busca-se selecionar animais que sejam mais eficientes no uso dos alimentos fornecidos na dieta. Por meio do Consumo Alimentar Residual são identificados animais com ganho de peso igual à média do grupo em teste, mas com menor consumo diário de alimento. São aqueles que tenham, portanto, CAR negativo, e a capacidade de manter níveis adequados de produção usando menos recursos.

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Por outro lado, o Ganho Médio Diário Residual positivo seleciona animais que ganham mais peso do que a média do grupo, comendo a mesma quantidade, ou seja, têm maior produção sem aumentar a necessidade de recursos alimentares. As características possuem de média a alta herdabilidade.


“A partir da avaliação de reprodutores mais eficientes na conversão alimentar, realizada durante as Provas de Eficiência Alimentar, temos agora a oportunidade de selecionar animais que consumam menos para alcançar melhores índices produtivos”, destaca Fernando Cardoso, chefe-geral da Embrapa Pecuária Sul.


Conforme Cardoso, a tecnologia é de grande relevância para o setor produtivo, pois garante eficiência e melhor lucratividade aos pecuaristas. “Os gastos com alimentação são em geral de 70% a 90% dos custos totais no período de terminação dos animais. Então, a melhor conversão alimentar é fundamental nos sistemas de produção”, ressalta.


“As novas DEPGs para as características de eficiência alimentar são mais um marco no melhoramento genético da raça Angus no Brasil e foram construídas com o apoio e participação de muitos selecionadores que acreditam na evolução da raça. É essencial conseguirmos selecionar reprodutores mais eficientes entre o consumo e ganho de peso”, comemora Mateus Pivato, gerente de fomento da Associação Brasileira de Angus.



 

Prova de Eficiência Alimentar


A Prova de Eficiência Alimentar (PEA) conduzida pela Embrapa Pecuária Sul tem como objetivo identificar os animais que melhor convertam o alimento consumido em desempenho produtivo. O objetivo é comparar e identificar, dentro de um mesmo sistema de produção, reprodutores com menor consumo e crescimento mais acelerado. Para isso são usadas duas medidas principais de aferição de eficiência alimentar: o Consumo Alimentar Residual e o Ganho de Peso Residual. Os indivíduos mais eficientes são aqueles com CAR negativo e GPR positivo.


Para o cálculo do índice de classificação final (ICF) da prova leva-se em consideração 50% para cada característica. De acordo com valores de ICF de cada raça, os reprodutores são divididos e classificados em três grupos: Elite (animais com ICF maior que a média + 1 desvio padrão); Superior (animais com ICF entre a média e 1 desvio padrão); e Comercial (animais com ICF menor que a média).


Os dados de consumo de cada animal participante da PEA são coletados por meio de cochos eletrônicos. Esses equipamentos possuem comedouros que ficam apoiados sobre células de carga e, em conjunto com sensores e coletores inteligentes, possibilitam o registro eletrônico do alimento consumido por indivíduo. Os participantes da prova recebem um brinco eletrônico para a leitura no comedouro em todas as vezes que se alimentam, gerando os dados de consumo pela diferença entre a quantidade de alimento abastecida no cocho e o que foi consumido nas visitas pelos animais.


Essas informações sobre consumo são correlacionadas com as pesagens realizadas durante a prova. Para participar, os reprodutores devem pertencer ao mesmo sexo e à mesma raça e idade, com variação máxima de 90 dias e ter menos de 24 meses ao encerrar a prova. A PEA tem duração de 90 dias, sendo 20 dias para adaptação à nova dieta e grupo de manejo, mais 70 dias de avaliação. As pesagens são realizadas ao início da prova e a cada 14 dias até o seu encerramento.


Mariana Tellechea, presidente da Associação Brasileira de Angus, pondera que a PEA Angus só foi possível graças à participação e comprometimento dos selecionadores que enviaram seus animais para a prova. “Os projetos que desenvolvemos são fruto de anos de pesquisa, desenvolvimento e trabalho. Foram avaliados mais de 500 animais ao longo de diversos anos de prova, e podermos contar com o apoio dos nossos criadores e, principalmente, com a confiança deles, ao disponibilizarem seus animais para esse estudo, é muito gratificante”, finaliza.

 

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