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Óleos essenciais superam fungicidas químicos no combate a doenças do mamão e da laranja

Pesquisa da Embrapa mostra que óleos essenciais são eficazes em frutas
01 jul 2025 às 18:06
Por: Band e Embrapa
O mamão pode perder até 50% da produção devido a doenças fúngicas que se manifestam após a colheita, especialmente durante o transporte e o armazenamento - Daniel Terao / Embrapa

Um estudo feito por pesquisadores da Embrapa Meio Ambiente, de Campinas (SP) mostrou que usar determinados óleos essenciais podem ser mais eficientes para combater doenças fúngicas em frutas do que os fungicidas químicos. Os fungos causam doenças que podem comprometer até metade da produção de mamão e laranja no Brasil.

A experiência com óleos essenciais, que seria uma alternativa eficaz, natural e ambientalmente segura, foi feita em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e mostraram que extratos de plantas como orégano, canela casca, alecrim pimenta e manjericão-cravo podem inibir, com grande eficiência, os fungos responsáveis por perdas napós-colheita destas frutas.

Altamente perecível, o mamão pode perder até 50% da produção devido a doenças fúngicas que se manifestam após a colheita, especialmente durante o transporte e o armazenamento. No caso das laranjas, os prejuízos também são expressivos: as perdas chegam a 40%, segundo os pesquisadores. Frente à limitação dos fungicidas sintéticos — que vêm perdendo eficácia com o uso continuado das mesmas moléculas, além de levantarem preocupações ambientais e de saúde — os óleos essenciais aparecem como solução promissora.


De acordo com a doutoranda da Unicamp Adriane da Silva, os testes mostraram que os óleos de orégano, canela em casca, alecrim pimenta e manjericão-cravo presentaram forte ação inibitória contra os principais fungos associados à deterioração do mamão, como Phoma caricae-papayae, Alternaria alternata, Lasiodiplodia theobromae, Colletotrichum gloeosporioides e Fusarium solani.


Os óleos foram testados em meio de cultura sob condições controladas, e o desempenho foi medido com base na inibição do crescimento micelial dos fungos, explica Silva. O destaque ficou para o óleo de alecrim pimenta, que inibiu completamente o crescimento de todos os patógenos, mesmo em concentrações baixas. O orégano e o manjericão-cravo também mostraram excelente desempenho, embora com menor controle sobre o Fusarium solani.

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Além da triagem inicial, os pesquisadores buscaram compreender quais compostos químicos estavam por trás da ação antifúngica dos óleos mais promissores. Por meio de análises, foram identificados os principais componentes responsáveis pela atividade: carvacrol, timol, ρ-cimeno e eugenol — todos já conhecidos por suas propriedades antimicrobianas. O cinamaldeído, presente na canela em casca, também se destacou pelo alto potencial antifúngico.


O pesquisador da Embrapa Daniel Terao explica que os testes também incluíram a ação isolada e combinada dos compostos dos óleos. A combinação de carvacrol, timol e eugenol em proporções semelhantes às encontradas nos óleos naturais resultou em efeitos sinérgicos, potencializando o efeito antifúngico. “Além de eficazes, os óleos essenciais apresentam vantagens ambientais e sanitárias importantes: são biodegradáveis, de baixa toxicidade e muitos já são considerados seguros para uso alimentar por agências reguladoras. Por isso, tecnologias pós-colheita que utilizam esses compostos — como revestimentos naturais aplicados à casca dos frutos — têm ganhado destaque como alternativas sustentáveis aos fungicidas convencionais”, destaca Terao.

Fungos provocam perdas de até 40% em laranjas


No caso da laranja, outra pesquisarevelou que extratos de plantas como orégano, canela, alecrim pimenta e manjericão-cravo foram eficazes contra dois fungos responsáveis por prejuízos consideráveis na cadeia produtiva de citros: Penicillium digitatum, causador do mofo verde, e Geotrichum citri-aurantii, agente da podridão azeda.


As doenças fúngicas que atacam laranjas após a colheita estão entre as maiores responsáveis por perdas, chegando a comprometer até 40% da produção. Atualmente, o controle desses fungos depende do uso de fungicidas como imazalil e tiabendazol, que têm sido alvo de questionamentos devido ao risco ambiental e à presença de resíduos químicos nos alimentos, além da perda de eficiência no controle dos fungos pelo uso continuado da mesma molécula. 

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