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Países árabes intensificaram compra de carne em 2025 temendo conflitos

Receita com embarques cresceu quase 2% em 2025, impulsionada pelo temor de desabastecimento global e abertura de novos mercados como a Argélia
15 jan 2026 às 18:27
Por: Band

O Brasil consolidou sua posição como parceiro estratégico na segurança alimentar do Oriente Médio e do Norte da África. As exportações de carne bovina para os países árabes atingiram um novo recorde histórico em 2025, somando US$ 1,79 bilhão em receitas. O valor representa um crescimento de 1,91% em relação ao ano anterior, marcando o segundo recorde consecutivo nas vendas do setor para o bloco.


Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (15) pela Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira, entidade que monitora o fluxo comercial com as 22 nações da região. O resultado positivo foi puxado tanto pelos mercados tradicionais quanto por novas frentes de negociação abertas pela indústria frigorífica nacional.


Quem comprou mais carne brasileira?

Dois gigantes do mundo árabe lideraram as importações. O Egito comprou o equivalente a US$ 375,35 milhões, um aumento expressivo de 24,53%. Já a Arábia Saudita importou US$ 333,10 milhões, registrando alta de 29,90%. Entretanto, a grande surpresa do balanço anual foi a Argélia. Desde 2024, o país vem intensificando suas relações comerciais com o Brasil.

Apenas no ano passado, as compras argelinas de carne bovina dispararam 40,56%, gerando uma receita de US$ 286,58 milhões e se firmando como um destino essencial para os exportadores brasileiros.

Estoques e geopolítica

Segundo a análise da Câmara Árabe, o aumento nas vendas não ocorreu por acaso. Houve uma estratégia clara dos países árabes em reforçar seus estoques de segurança, especialmente de alimentos. O movimento foi uma resposta ao cenário de incerteza global, agravado pelo "tarifaço" americano — barreiras tarifárias impostas pelos Estados Unidos a diversos fornecedores globais, incluindo o Brasil.

Temendo a desorganização das cadeias de suprimentos e o risco de desabastecimento, os importadores árabes anteciparam compras. Como o Brasil fornece cerca de metade dos alimentos adquiridos externamente pelo bloco, o país foi o principal beneficiado. "Os árabes intensificaram as aquisições, e o Brasil foi particularmente beneficiado na carne bovina porque tinha maior disponibilidade do produto", explica Mohamad Mourad, secretário-geral da entidade.

Queda no geral, alta nos insumos

Apesar do sucesso na carne bovina, o cenário geral das exportações do agronegócio para o bloco teve recuo. O total exportado pelo Brasil para a região somou US$ 21,34 bilhões em 2025, uma queda de 9,81% na comparação com 2024. Mourad ressalta que o esforço financeiro para estocar carne acabou limitando o orçamento para outros produtos. Além disso, a desvalorização das commodities (mercadorias primárias com cotação internacional) e o foco de gripe aviária no Rio Grande do Sul no início de 2025 impactaram o faturamento. No entanto, um dado chama a atenção: o aumento na venda de insumos para produção local.

Os países árabes têm investido para produzir sua própria proteína animal. Isso explica o aumento de 18,10% nas vendas de gado vivo para abate (US$ 695 milhões) e o salto de quase 25% nas exportações de milho (US$ 3,07 bilhões), grão essencial para a ração animal.

Perspectivas para 2026 e o Ramadã

Mesmo com o incentivo à produção local nos países árabes, a proteína brasileira continua competitiva. A Arábia Saudita, por exemplo, aumentou em mais de 15% suas compras de frango brasileiro. Para 2026, a expectativa é de recuperação e aquecimento do comércio. O último trimestre de 2025 já sinalizou essa tendência, com vendas 8,2% superiores ao mesmo período do ano anterior.

Um fator crucial para o início deste ano é o Ramadã, o mês sagrado para os muçulmanos, que começa em 17 de fevereiro. O período tradicionalmente exige um volume maior de alimentos para as celebrações noturnas de quebra de jejum. "A intensificação de embarques vista no fim de 2025 é um esforço de formação de estoques para a data festiva, mas também acreditamos que seja reflexo da normalização do comércio neste momento pós-tarifaço", projeta Mourad.

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