Três técnicos de enfermagem foram presos temporariamente, acusados de atuar como "matadores em série" dentro da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) de um hospital no Distrito Federal. A investigação aponta que os suspeitos injetavam substâncias não prescritas nos pacientes, incluindo desinfetante, o que levava a paradas cardiorrespiratórias fatais.
Detalhes cruéis
Em um dos casos identificados pela perícia, uma paciente recebeu pelo menos 10 doses de desinfetante diretamente na veia. Segundo informações, os crimes ocorriam em datas diferentes, e a motivação para os assassinatos ainda é desconhecida.
Até o momento, a polícia investiga cerca de 20 mortes que podem ter relação com a conduta dos técnicos. Três desses óbitos já apresentam fortes indícios de terem sido causados pela ação criminosa dos profissionais.
Risco continuado
Um detalhe que agravou o caso foi a descoberta de que, após ser demitido do hospital onde os crimes começaram a ser notados, um dos técnicos conseguiu emprego em uma UTI pediátrica de outra unidade de saúde. A polícia destaca que ele continuou colocando vidas em risco, desta vez de crianças, até o momento de sua prisão.
O hospital onde os crimes ocorreram afirmou que, assim que percebeu a conduta ilegal, demitiu os envolvidos e comunicou as autoridades para que a investigação fosse iniciada. A Polícia Científica segue analisando prontuários e realizando perícias para confirmar a extensão dos crimes cometidos pelo grupo.
Quem são as vítimas
- Professora aposentada, 75 anos, deixou filhos e netos;
- Servidor da Caesb, 63 anos, deixou viúva, filhos e netos;
- Homem de 33 anos, deixou esposa e uma criança.
O que diz o hospital
Em nota, o Hospital Anchieta informou que ao identificar circunstâncias atípicas relacionadas a três óbitos ocorridos em sua UTI, a unidade de saúde instaurou, por iniciativa própria um comitê interno de análise e ”conduziu investigação célere e rigorosa, que em menos de vinte dias resultou na identificação de evidências envolvendo ex-técnicos de enfermagem, as quais foram formalmente encaminhadas às autoridades competentes”.
“Com base nessas evidências, fruto da investigação interna realizada pela instituição, o próprio Hospital requereu a instauração de inquérito policial, bem como a adoção das medidas cautelares cabíveis, inclusive a prisão cautelar dos envolvidos os quais já haviam sido desligados da Instituição, prisões as quais foram cumpridas pelas autoridades nos dias 12 e 15 de janeiro de 2026”, disse o hospital.
“Pautado pela transparência de seus processos e pela confiança nos protocolos internos que norteiam sua atuação, o Hospital entrou em contato com as famílias envolvidas, prestando todos os esclarecimentos necessários de forma responsável e acolhedora. Reitera, ainda, que o caso tramita em segredo de justiça, o que impossibilita a divulgação de informações adicionais bem como a identificação das partes envolvidas”, acrescentou.
No comunicado, o hospital afirmou que entende que o segredo de justiça é “imprescindível à preservação da apuração, à proteção das partes envolvidas e ao regular exercício das atribuições das autoridades competentes, o qual deve ser estritamente observado de acordo com os limites impostos pela decisão judicial”.
“O Hospital, enquanto também vítima da ação destes ex-funcionários, solidariza-se com os familiares das vítimas, e informa que está colaborando de forma irrestrita e incondicional com as autoridades públicas, reafirmando seu compromisso permanente com a segurança dos pacientes, com a verdade e a justiça”, finalizou.
Sindicato se pronuncia
O Sindate-DF lamenta profundamente o ocorrido envolvendo três técnicos de enfermagem presos sob acusação de morte de pacientes no Hospital Anchieta e manifesta solidariedade às famílias das vítimas.
A entidade esclarece que tomou conhecimento do caso pela mídia e se coloca à disposição para prestar o apoio necessário aos profissionais, dentro dos limites legais e institucionais.
O Sindate reafirma seu compromisso com a ética, a valorização da categoria e o respeito à vida, confiando que todos os fatos serão devidamente esclarecidos.