Terezinha de Jesus Guinaia falou pela primeira vez após o julgamento que terminou com a condenação de Ricardo Seidi a 23 anos e seis meses de prisão pela morte de Eduarda Shiguematsu. Em entrevista concedida ao Canal Farina, de José Carlos Farina, ela comentou o período vivido após o caso e afirmou que pretende seguir a vida. Terezinha foi absolvida de todas as acusações analisadas pelo Tribunal do Júri.
Durante a entrevista, Terezinha também falou sobre as críticas que recebeu e disse que mantém a fé para enfrentar o período após o julgamento. Ela não participou presencialmente do júri em Maringá e, durante a sessão, permaneceu em silêncio, exercendo o direito constitucional de não responder às perguntas. A participação ocorreu por videoconferência.
A mãe de Eduarda, Jessica Pires, não quis conceder entrevista após o julgamento, mas confirmou ter recebido e assistido ao vídeo. Em declaração, Jessica contestou as afirmações feitas por Terezinha sobre a guarda de Eduarda e afirmou discordar da absolvição.
Relembre o julgamento
Ricardo Seidi foi condenado a 23 anos e seis meses de prisão pela morte da filha, Eduarda Shiguematsu, em julgamento encerrado nesta quinta-feira (17), em Maringá. A pena foi definida após a análise das acusações de homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica.
A sentença estabeleceu 21 anos e quatro meses pelo homicídio, um ano e dois meses pela ocultação de cadáver e um ano pela falsidade ideológica.
O homicídio foi considerado quadruplamente qualificado, com as qualificadoras de meio cruel, recurso que impossibilitou a defesa da vítima, feminicídio e crime cometido contra menor de 14 anos. A soma das penas resultou na condenação de 23 anos e seis meses de prisão.
No caso de Ricardo, a confissão foi considerada um atenuante e contribuiu para a redução das penas estabelecidas. A defesa poderá recorrer da decisão, buscando a revisão da sentença ou da pena aplicada.
Terezinha de Jesus, avó paterna da menina, respondia por ocultação de cadáver e falsidade ideológica e foi absolvida das duas acusações. Durante os debates do júri, o próprio promotor de Justiça, representante do Ministério Público, pediu a absolvição da ré. O Conselho de Sentença acolheu o pedido e decidiu pela absolvição.
Laudo apontou esganadura
Durante o depoimento do médico legista, o profissional afirmou que as lesões encontradas no pescoço, queixo e região cervical de Eduarda são compatíveis com esganadura. A informação foi apresentada durante a sessão e integra os elementos analisados no julgamento.
Ricardo respondia a acusações relacionadas à morte da filha e à ocultação do corpo. Já Terezinha de Jesus, avó paterna da menina, também era ré no processo e respondia por acusações relacionadas à ocultação do cadáver e falsidade ideológica. As defesas dos dois contestaram as acusações.
Relembre o caso
O crime aconteceu em 24 de abril de 2019, em Rolândia. Eduarda Shiguematsu, de 11 anos, foi encontrada morta e enterrada no quintal da casa onde morava com o pai.
Ricardo Seidi respondia por homicídio triplamente qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica. Durante o processo, ele negava ter matado a filha, mas afirmava que havia escondido o corpo após a menina ter tirado a própria vida.
A avó paterna, Terezinha de Jesus, também respondia ao processo. Segundo o Ministério Público, ela teria ajudado a esconder o corpo, acusação negada pela defesa. Ao final do julgamento, Terezinha foi absolvida de todas as acusações.