Novos detalhes do caso envolvendo a morte da escrivã da Polícia Federal Vanessa Marty, em Cascavel, vieram à tona após a análise de imagens de câmeras de segurança. Os equipamentos registraram sons do momento em que a vítima foi atingida e também os minutos seguintes ao ocorrido, no dia 24 de junho.
Segundo as gravações, por volta das 20h06, é possível ouvir o disparo dentro da residência. Cerca de três minutos depois, o marido de Vanessa, um sargento da reserva do Exército Brasileiro de 58 anos, teria saído da casa e perguntado, em voz alta, o que ela havia feito.
Na sequência, ele acionou o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e relatou a situação. Poucos minutos depois, por volta das 20h17, uma nova ligação foi registrada. Conforme as investigações, o homem teria informado a outra pessoa que a esposa havia tirado a própria vida.
Ainda de acordo com os registros analisados, viaturas da Polícia Militar passaram duas vezes em frente ao imóvel antes da chegada das equipes de socorro, mas o homem não teria informado aos policiais sobre o que havia ocorrido. O Corpo de Bombeiros chegou ao endereço por volta das 20h23.
Inicialmente, a ocorrência foi tratada como uma possível morte por suicídio. No entanto, após o avanço das investigações, a Polícia Civil apontou que Vanessa teria sido morta pelo companheiro.
Com a conclusão do inquérito, o Ministério Público ofereceu denúncia e a Justiça aceitou a acusação. O homem passou a responder como réu pelo crime de feminicídio, com agravante pela impossibilidade de defesa da vítima.
Segundo o advogado que representa a família da escrivã como assistente de acusação, a denúncia demonstra a gravidade do caso e a expectativa é de que o julgamento seja realizado pelo Tribunal do Júri.
A defesa do réu informou que considera que a denúncia foi aceita de forma antecipada e afirma que pedidos apresentados durante o processo ainda não teriam sido analisados. Com a decisão judicial, a defesa tem prazo de dez dias para apresentar recurso.