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Eletivas: audiência pública discute implantação de Centro de Cirurgias Programadas no HUOP

16 set 2021 às 21:31
Por: Bruno Rodrigo

Foi realizada na noite desta quinta feira (16), na Câmara de Vereadores de Cascavel, uma audiência pública para discutir a possibilidade de implantação do Centro de Cirurgias Programadas no Hospital Universitário do Oeste do Paraná (HUOP) no espaço construído para atender pacientes queimados e com isso atender aos pacientes que aguardam anos na fila de cirurgias eletivas em Cascavel.

As cirurgias eletivas são aquelas que não são consideradas de urgência, mas envolvem atendimento de média complexidade. Após passar pelo atendimento de emergência, os pacientes podem aguardar por anos até que seu caso seja resolvido. Enquanto isso, muitas doenças se agravam e muitos pacientes podem, inclusive, morrer sem ter conseguido fazer a cirurgia.

Participaram da audiência, a Comissão de Saúde da Câmara de Vereadores, os diretores do Hospital Universitário do Oeste do Paraná - HUOP, além de outras autoridades na área da saúde do município, e interessados no assunto em geral.

Cascavel no momento conta com 6 mil pessoas na fila por cirurgias eletivas. Na região, o número de cirurgias na fila pode chegar a 20 mil. Só o HUOP tem um número de 1.540 cirurgias represadas. Com estrutura atual o HU levaria 13 meses pra conseguir realizar todas essas cirurgias.

A ideia apresentada pelo Vereador Edson de Souza, que é integrante da comissão da Saúde da Câmara de Vereadores de Cascavel, é de que a ala de queimados do HUOP, que ainda não foi inaugurada, sirva como Centro de Cirurgias Programadas, ou seja cirurgias eletivas. O custo para colocar em funcionamento esse centro de cirurgias, seria de 14,5 milhões de reais, contando com equipamentos e servidores, já que seriam reutilizados alguns equipamentos que já se encontram no local, por conta da ala de Covid-19 ali implantada. Já para a ala de queimados, esse custo seria no total de 46,8 milhões de reais somente no primeiro ano. Segundo Edson, será formada uma comissão de saúde com 52 vereadores do Oeste do Paraná, para debater a ideia.

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O Diretor do HUOP, Rafael Muniz, falou sobre o crescimento de leitos no hospital desde o início da pandemia, depois da conversão de leitos Covid-19 para leitos de atendimento geral. Rafael ainda afirma não ter desistido da ideia da ala de queimados, mas que foi percebida a necessidade de criar uma ala para cirurgias eletivas neste momento. Ele ainda complementou afirmando que os pacientes que não conseguem cirurgia, lotam UPA's e unidades de pronto atendimento, onde recebem tratamento para dores rotineiramente, uma vez que a origem do problema acaba não sendo resolvida.

O Secretário de Saúde de Cascavel, Miroslau Bailak, afirmou que a ideia de um centro de cirurgias eletivas provisório agrada, no entanto, defende a importância da ala de queimados para a região.

Valmor Lemanski, presidente da Associação Pró-Queimados, se pronunciou por meio de nota sobre o caso:

"Fomos informados que o HUOP tem intenção de fazer essas cirurgias eletivas temporariamente para dar vazão a fila que aumentou em decorrência da pandemia. Concordamos que isso aconteça até que o Hospital esteja credenciado para fazer procedimento de alta complexidade para queimados. Mas lembramos que é de extrema importância para toda a macrorregião termos um hospital adequado para o atendimento de queimados, uma vez que por ano temos 1 milhão de queimados no Brasil anualmente, e a ala de Cascavel poderá suprir deficiência de leitos especializados de outras regiões ou até Estados".

Ala de Queimados

Pronta desde 2016, a ala de queimados de Cascavel nunca foi equipada. Para realizar esse equipamento, seriam necessários cerca de R$8 milhões, além do gasto com os servidores.

Atualmente o Paraná conta com apenas dois hospitais com ala de queimados, o Hospital Evangélico de Curitiba e o Hospital Universitário de Londrina. Casos de pacientes com queimaduras graves da região, normalmente são encaminhados para Londrina.

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