A investigação sobre o estupro de uma adolescente de 13 anos em Londrina ganhou novos e contundentes detalhes nesta segunda-feira (5). Em entrevista na delegacia, a mãe da vítima desmentiu a informação de que a filha seria namorada do agressor de 19 anos. Segundo o relato, a jovem foi rendida após sair para comprar refrigerante e coagida pelo suspeito a sustentar a versão falsa de um sequestro por um "motorista de aplicativo".
"Ela nunca teve namorado. Esse rapaz, eu nem conhecia, nunca tinha visto na vida. Só o vi ontem quando saímos procurando por ela", afirmou a mãe. De acordo com a nova versão da família, a adolescente estava com amigas e primas quando foi abordada pelo suspeito, identificado preliminarmente como Diogo. Ele teria segurado a jovem pelo braço e utilizado um pano com uma substância forte (supostamente éter) para dopá-la, reduzindo sua capacidade de reação.
Coação e medo
A história do "falso Uber", que circulou inicialmente, teria sido uma estratégia de defesa do próprio agressor. A mãe explicou que, ao perceber que a polícia não encontrava imagens do suposto carro nas câmeras de segurança, confrontou a filha. A adolescente confessou que o homem a obrigou a inventar a mentira, sob a ameaça de que, caso contasse a verdade, ele a encontraria novamente para fazer algo pior.
"Ele inventou essa história e falou que era para ela contar. Ela estava com muito medo, mas eu disse a ela que agora ela está sob o nosso cuidado e não precisa mais ter receio", desabafou a mãe.
Dinâmica do crime e participação de terceiros
A família chegou a ir duas vezes à casa do suspeito enquanto a menina ainda estava desaparecida. Na primeira vez, ele negou conhecer a jovem. Na segunda visita, os pais notaram a presença de outros dois adolescentes no local. A suspeita da família, baseada no relato posterior da vítima, é que o agressor teria ligado para os amigos para que eles também participassem do abuso enquanto a menina estava dopada.
A ação dos pais, que bateram à porta do suspeito repetidas vezes, pode ter interrompido a continuidade das agressões. Pouco depois da segunda visita à residência, a adolescente conseguiu retornar para casa.
Estado de saúde
A jovem de 13 anos permanece internada no Hospital Universitário (HU) de Londrina, onde recebe cuidados médicos e psicológicos desde a noite de domingo (04). A mãe ressaltou a importância de manter a calma para buscar justiça: "A gente tem que manter a postura, porque se entrarmos em pânico, não conseguimos resolver. Minha filha precisa do pai e da mãe agora".
O caso segue sob investigação da Polícia Civil, que apura o estupro de vulnerável e a responsabilidade dos outros dois menores envolvidos na ocorrência.