O Observatório de Gestão Pública de Londrina (OGPL) questionou tecnicamente o índice de 4,30% proposto no Projeto de Lei nº 56/2026, que trata da recomposição salarial dos servidores e vereadores da Câmara Municipal. Segundo nota pública emitida pela entidade, o INPC acumulado entre fevereiro de 2025 e janeiro de 2026 registrou 3,9%, conforme dados do IBGE, e não o percentual apresentado pelo Legislativo. O órgão afirma que a aplicação de um valor superior ao oficial descaracteriza a reposição inflacionária e configura ganho real, o que exige justificativas orçamentárias mais detalhadas.
O OGPL manifestou preocupação com o crescimento das despesas da Câmara, citando o efeito cumulativo de gastos aprovados em dezembro de 2025, como a criação de cargos comissionados e o aumento de gratificações. A entidade deve oficiar o Legislativo para solicitar a memória de cálculo do índice e a demonstração do impacto financeiro somado às despesas estruturais recentes.
A polêmica envolve o projeto que altera o subsídio do presidente da Câmara, Emanoel Gomes, de R$ 16.462,22 para R$ 17.170,10, e dos demais parlamentares de R$ 14.157,50 para R$ 14.766,27. A matéria teve a urgência aprovada na última quinta-feira (12), com dez votos favoráveis e seis contrários. Em contrapartida, a Câmara Municipal de Londrina reafirma que o projeto preserva apenas o poder aquisitivo e que a tramitação via Projeto de Lei garante a transparência e a legalidade da medida aplicada de forma isonômica a servidores e agentes políticos.