Na história da Música Antiga no Brasil - música composta em um período anterior a 1750, o Studium Musicae tem papel de importância. Foi o primeiro grupo no país a gravar um disco somente com obras do período Medieval e um dos grupos que fizeram com que Curitiba fosse nos anos 80 um centro de referência em Música Antiga. Em 2022, após uma interrupção de 28 anos, o grupo retornou às atividades e realizando concertos em Curitiba. Neste ano faz sua primeira turnê pelo Estado com o grupo renovado.
Londrina não poderia ficar fora do roteiro. O Studium Musicae– Ateliê de Música Histórica faz o
concerto “Rotas da Seda: a música do mundo” no
Festival Internacional de Música de Londrina, no Cine Teatro Universitário Ouro
Verde - Casa de Cultura, em 18 de julho, às 20h30. A turnê é possível graças ao
Programa de Fomento e Incentivo à Cultura - PROFICE, da Secretaria da Cultura
do Estado do Paraná e ao incentivo da Copel, e foi idealizada e produzida por
Alvaro Collaço. Em Londrina, há parceria com o Festival
Internacional de Música de Londrina A entrada é gratuita.
Na
turnê o Studium Musicae já passou por Curitiba, São José dos Pinhais,
Guarapuava, Cascavel e Foz do Iguaçu. “As pessoas ficam maravilhadas com os
instrumentos diferentes e no final do concerto vão até o palco para ver de
perto. A reação da plateia está sendo de descoberta dessa música antiga”, diz
Alvaro Collaço.
A proposta do concerto “Rotas da Seda” vai para
além da música. Mostra a relevância da fé, do comércio, do intercâmbio entre
povos, não só considerando condições geográficas. As Rotas iniciam séculos
antes do nascimento de Cristo e permanecem ativas no século XXI. E atualmente,
inclusive, governos pretendem reinventá-las até de forma virtual.
O programa de concerto revela uma
expansão do Studium Musicae em relação ao seu repertório. Se no passado, antes
da sua retomada em 2022, o grupo se dedicava à música histórica europeia,
agora incluiu nas suas apresentações músicaoriental- chinesa e japonesa,
inclusive-, valorizando a compreensão do quanto já era sonora a terra em tempos
antigos. O concerto é um mosaico de estilos, considerando as línguas e a
cultura de cada região e uso de diferentes instrumentos.
“Estamos levando ao público um repertório
extremamente inusitado e curioso. São temas oriundos de tradições musicais
diversas que primam pelos contrastes geográficos e culturais. Uma viagem sonora
singular”, afirma Plínio Silva, que participa do Studium desde quando o grupo
se chamava Conjunto Renascentista de Curitiba, nos anos 80. Flávio Stein, outro
integrante da primeira formação, não esconde sua empolgação com o momento atual
do grupo. “Estamos muito animados com a turnê. Temos curiosidade de voltar em
grupo às cidades do interior. E queremos saber como essa música vai soar para o
público jovem de hoje. Lá atrás éramos nós os jovens e tínhamos um público
imenso, também de jovens”. Os dois
músicos dividem a direção geral do grupo.
O Studium Musicae é formado por Flávio Stein, Norberto Pavelec e Plínio Silva, músicos que participaram da primeira formação nos
anos 80, Júlio Cesar Coelho que integrou o grupo nos anos 90, Daniele
Oliveira, Márcia Kaiser e o percussionista Fábio Mazzon, que participam desde
2022 e Mateus Sokolowski, desde 2024.
História documentada
O Studium Musicae não teve sempre esse
nome.Chamava-se Conjunto Renascentista de Curitiba.
O Renascentista foi criado em 1981 pelagambista Eunice Brandão (1960-2001), com
apoio da Fundação Cultural de Curitiba, do maestro e cravista Roberto de Regina
e da cravista Ingrid Serafim. Em 1983, o Renascentista passa a se chamar Studium
Musicae e no ano seguinte grava o LP “As Cruzadas”: o primeiro dedicado
integralmente a música medieval em todo país.Nos anos 80 e 90 integrantes do
grupo criaram importantes festivais de música organizados em Curitiba.
Em 1987, o Studium fez sua primeira parada,
retornando em 1990 com nova formação, que perdura até 1994, quando realizam uma
turnê pelos Países Baixos e que gerou o CD “HollandTour”, gravado ao vivo em
uma igreja em Thesinge. Em 2022 o grupo ressurgiu após o lançamento do CD
triplo “Tríptico”, produzido por Alvaro Collaço e que trouxe gravações das
primeiras formações. Essa história está sendo contada no documentário “Música
Inesperada”, dirigido por Neni Glock, lançado em 10 de abril na Cinemateca de Curitiba.