Os setores de eventos e turismo são os mais afetados pela pandemia, isso é um consenso entre governantes e representantes de entidades. Foz do Iguaçu é uma cidade movida pelo turismo de natureza, turismo de eventos, e pelo chamado turismo de compras. Uma cidade atípica, onde a economia também depende de uma cidade vizinha, que fica em outro país.
Em 2019 as Cataratas do Iguaçu chegou a bater o recorde de visitantes, mais de 2 milhões de pessoas passaram pelo Parque Nacional do Iguaçu naquele ano. A expectativa era de uma crescente, mas as coisas mudaram. Uma das sete maravilhas do mundo da Natureza, fechou por duas vezes: de 18 de março a 4 de junho, e vinte dias depois por conta do aumento de casos da Covid 19 voltou a fechar, reabrindo apenas em 4 de agosto, foram meses sem visitação.
Para termos uma ideia do impacto disso, de janeiro a outubro de 2019 o Parque Nacional já registrava mais de 1 milhão e 600 mil visitantes. No mesmo período desse ano, foi muito abaixo, 550 mil. As projeções pra voltar a igualar o número de visitação nas Cataratas do ano passado, são só pra 2022.
Aeroporto sem voos, ruas vazias, fronteiras com Argentina e Paraguai fechadas... Por falar em fronteira, a ponte da amizade - que liga Foz do Iguaçu a Ciudad del Leste, no Paraguai - pela primeira vez na história, desde sua construção há 55 anos, foi fechada. E assim ficou por sete meses. O impacto dessa medida não foi só turístico, muitas famílias de Foz do Iguaçu trabalham do outro lado da ponte.
Ninguém tinha uma receita do que fazer diante de uma pandemia, em uma cidade onde a circulação de pessoas do mundo todo não parava. Medidas foram tomadas, e a cidade não parou completamente, mas teve que dar um tempo. O comércio ficou fechado por um mês em março, e fechou novamente por 15 dias em julho. Bairros tiveram que ser "isolados".
Em março eram 13 casos na cidade e nenhuma morte, em abril, 36 casos, 2 mortes, em maio 79 casos e mais uma morte, no mês de junho 768 casos, 8 mortes. Em Julho, considerado o pior mês, com maior número de casos, foram 2.447 pessoas infectadas e 19 mortes, agosto veio, e com ele mais 1.732 casos com 31 mortes e em setembro foram 2.173 casos, 42 mortes, o maior número de óbitos registrado em um mês até o momento. Já no mês passado, outubro, foram 1.579 casos com 33 mortes.
Foz do Iguaçu começou a pandemia com 17 leitos de UTI pra Covid-19 no Hospital Municipal. Com o número de casos evoluindo, duas novas alas foram construídas e novos leitos criados, hoje a cidade possui 40 leitos de UTI no Hospital Municipal e mais 35 no Hospital Costa Cavalcanti. Leitos de enfermaria somam hoje 64, estrutura que ajudou a salvar vidas.
Hoje, a cidade está cheia, movimento voltando ao comércio, no último feriado, de finados, pontos turísticos tiveram o maior índice de visitação desde o início da pandemia. Pontes abertas... Mas olhar para tudo o que a cidade passou é importante, para que descuidos não façam novas medidas serem tomadas.
Reportagem: Giulianne Kuiava