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Robotização da pecuária de leite em destaque no Show Pecuário 2020

26 ago 2020 às 14:30
Por: Redação Tarobá News

O Show Pecuário On-line 2020 iniciou com um pé direito nesta terça-feira (25). A primeira live do evento, promovido pelo Sindicato Rural de Cascavel e pela Sociedade Rural do Oeste do Paraná, foi com o Alexandre Toloi, zootecnista e gerente nacional de Sistemas de Ordenha Voluntário da DeLaval Brasil, que trouxe o que há de mais moderno no setor. Nesta quarta (26), a palestra será com Thiago Bernardino de Carvalho, pesquisador do Cepea/USP, sobre o mercado agrícola brasileiro e sua relação com a China. O link para assistir o segundo dia do evento é: https://youtu.be/BQgRnh5iH_o (também será transmitido pelo Facebook e Instagram do Sindicato Rural de Cascavel).

Segundo a palestra de Alexandre, o Brasil tem um potencial imenso de crescimento no agro até 2027. Suas expectativas, embasadas em dados oficiais, são de um crescimento de produção em 30%. No entanto, para chegar lá, é preciso investir em tecnologia e, além disso, olhar para outros horizontes.

“Temos essa capacidade de produzir sempre mais. Temos excelência e reconhecimento mundial em suínos, aves e em grãos, mas esses setores tem menos projeção de crescimento do que outros. Há muito espaço para outros setores ainda, que não somos tão grandes fora e dentro do Brasil”, comentou.

Ele se referiu ao setor lácteo, por exemplo. Há muitas tecnologias disponíveis no mercado, mas ainda não absorvidas pelos pecuaristas. Entre elas estão os robôs de ordenha, que otimizam e profissionalizam o processo, dão mais qualidade aos produtos, geram mais renda e qualidade de vida. “O produtor foge daquela rotina difícil que é gastar de 6h a 7h por dia na ordenha. Tem um cliente meu que disse que há seis anos não almoçava no domingo com a família, uma vez que ele tinha que substituir a folga do funcionário. A ordenha robotizada dá mais qualidade ao leite, dá bem-estar animal às vacas e proporciona mais tempo para o pecuarista cuidar dos bezerros, que são o futuro da fazenda. Além disso,  evita aquela comum rotatividade de funcionários desse setor. É possível o investimento também para pequenos e médios”, explicou. Segundo ele, a partir de R$ 850 mil, um produtor com a produção de 3 mil litros por dia ou 1 milhão de litros de leite por ano (o que dá em torno de 80 vacas), consegue investir em um robô cru, sem algumas melhorias que otimizam ainda mais os processos.

Outro ponto destacado por ele foi a importância do produtor se adaptar à nova realidade do mundo. Atualmente, a procedência, ou seja, a rastreabilidade, importa tanto quanto à qualidade do produto. “Há muita informação na mão do consumidor, que vai cada vez consumir itens melhores e com procedência comprovada, com processos produtivos adequados entre outros fatores”, informou.

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Paulo Orso, presidente do Sindicato Rural de Cascavel, moderou a palestra e a elogiou. “Foi muito interessante, porque mostrou oportunidades para o produtor de leite no mercado internacional e nacional. Este é um setor de pouco investimento, tanto público como do próprio produtor, mas que tem mercados imensos para ser conquistados. Invistam na qualidade do produto e na tecnologia. Com certeza, valerá a pena”, ponderou.

Palestra desta quarta-feira (26)

Nesta quarta (26), o renomado pesquisador do Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), Thiago Bernardino de Carvalho será a principal atração. Thiago é economista agrícola, mestre em Economia Aplicada e Doutor em Administração de Empresas pela FEA/USP. Também é professor de economia e gestão na UNESP/Botucatu e do MBA em Agronegócio da USP. Representante do Brasil na rede internacional de comparativo de custo e sistemas de produção Agribenchmark e no International Meat Secretariat, ele falará sobre o mercado agrícola brasileiro e sua relação com a China, principal comprado do agronegócio brasileiro.

Segundo ele, neste ano tivemos uma situação atípica, devido ao coronavírus, mas também uma situação que vem se desenvolvendo nos últimos dois anos em se tratando da China. “A China vem comprando mais produtos brasileiros nos últimos meses, devido a alguns fatores como: competitividade dos produtos brasileiros em termos de quantidade e qualidade, preços relativos mais atraentes (devido ao câmbio desvalorizado e também aos custos competitivos) e também pela briga comercial entre o país asiático e os EUA. Soma-se a esse fato a pandemia, que aproximou mais o Brasil da China devido a qualidade e controle de seus produtos. Outros países, focando no mercado interno e com problemas de contaminação, muitas vezes não conseguem colocar seu produto no mercado chinês”, explicou.

Para 2021, Thiago acredita que devemos continuar muito próximos da China mantendo os embarques devido à condição natural do Brasil produzir muito alimento à custo baixo. “Mas devemos ficar atentos para alguns fatores como: eleição norte-americana, valorização do Real e também a reconstrução da China para alguns setores, como por exemplo a cadeia suinícola”.

Os setores promissores pós-pandemia, segundo Thiago, são: proteína animal, carnes e leite, e grãos (milho e soja). Setores florestal e de minério de ferro continuarão também a serem importantes para o mercado chinês, mas o mercado asiático irá buscar cada vez mais alimentos baratos no Brasil.

 

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