O Banco do Brasil (BB) registrou lucro líquido ajustado de R$ 20,685 bilhões em 2025, uma queda de 45,4% em relação ao ano anterior, segundo balanço divulgado nesta quarta-feira (11). O resultado foi pressionado pelo aumento da inadimplência e pelas novas regras contábeis que passaram a valer no ano passado.
No quarto trimestre, o banco lucrou R$ 5,742 bilhões, recuo de 47,2% na comparação anual, mas alta de 51,7% em relação ao terceiro trimestre de 2025.
Segundo a presidente do BB, Tarciana Medeiros, a geração de receitas segue em crescimento, com destaque para o crédito a pessoas físicas e o Programa Crédito do Trabalhador, que já desembolsou R$ 13 bilhões.
Impacto das novas regras contábeis
Em 2025, entrou em vigor resolução do Conselho Monetário Nacional (CMN) que alterou o modelo de provisões para perdas esperadas. A mudança fez o banco deixar de reconhecer R$ 1 bilhão em receitas de crédito, impactando o resultado anual.
Inadimplência sobe em 2025
O índice de inadimplência acima de 90 dias subiu de 3,16% em dezembro de 2024 para 5,17% no fim de 2025.
Os principais impactos vieram de:
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Agronegócio: inadimplência de 6,09% (+1,25 ponto percentual no trimestre)
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Pessoa Física: 6,56% (+0,55 ponto percentual)
Carteira de crédito chega a R$ 1,296 trilhão
Apesar do cenário desafiador, o Banco do Brasil ampliou a carteira de crédito, que encerrou 2025 em R$ 1,296 trilhão, alta de 2,5% no ano.
Distribuição por segmento:
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Pessoa Física: R$ 356,96 bilhões (+7,6% em 12 meses), com destaque para o consignado CLT (R$ 14,3 bilhões)
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Pessoa Jurídica: R$ 455,15 bilhões (+0,6% no ano)
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Grandes empresas: R$ 260,4 bilhões (+4,3%)
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Micro e pequenas: R$ 115,2 bilhões (-7,9%)
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Agronegócio: R$ 406,13 bilhões (+2,1%)
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Crédito Sustentável: R$ 415,1 bilhões (+7,3%), equivalente a 32% da carteira total
Receitas e despesas
As receitas com prestação de serviços somaram R$ 34,813 bilhões, queda de 1,9%. O resultado foi parcialmente compensado por:
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Administração de fundos (+13,5%)
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Consórcios (+19,3%)
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Mercado de capitais (+7,9%)
Já as despesas administrativas atingiram R$ 34,813 bilhões, alta de 5,1%, influenciadas por reajustes salariais e investimentos em tecnologia e cybersegurança.
Projeções do Banco do Brasil para 2026
O BB projeta recuperação em 2026, com:
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Lucro líquido ajustado entre R$ 22 bilhões e R$ 26 bilhões
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Crescimento da carteira de crédito entre 0,5% e 4,5%
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Alta de 6% a 10% em pessoa física
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Receita de serviços crescendo de 2% a 6%
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Despesas administrativas subindo de 5% a 9%
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Custo do crédito entre R$ 53 bilhões e R$ 58 bilhões
Segundo Tarciana Medeiros, os resultados do quarto trimestre indicam um ponto de inflexão e retomada gradual da rentabilidade do banco em 2026.