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Economia

Estudo mostra desigualdade na Previdência

08 mai 2019 às 07:10
Por: Estadão Conteúdo

O Instituto Millenium - "think thank" que promove o liberalismo e tem entre seus fundadores o ministro da Economia, Paulo Guedes - entrou ontem oficialmente no debate sobre a reforma da Previdência. Em parceria com a agência de planejamento estratégico Eight, distribuiu um estudo sobre o assunto para os 49 deputados que fazem parte da Comissão Especial que analisará o projeto.

O documento indica, por exemplo, que as pessoas que se aposentam por tempo de contribuição estão concentradas principalmente nas Regiões Sul e Sudeste. A mediana do benefício desses aposentados é de R$ 1.500. No caso da aposentadoria por idade, com maior presença no Norte e no Nordeste, a mediana é de R$ 1.000. "O estudo mostra que a renda da pessoa hoje é explicada pela região em que ela mora", afirmou o diretor executivo da Eight, Leandro Bortolassi.

O estudo destaca também que a média do benefício para quem se aposenta no funcionalismo público é hoje de R$ 9.209,67. O valor é 507% maior do que a média de R$ 1.517,22 recebida por aqueles que se enquadram no Regime Geral da Previdência Social (RGPS), que atende a maior parte dos trabalhadores.

Os servidores públicos, mostra o documento do Instituto Millenium, representam 2% (ou 723 mil) dos beneficiados pela Previdência Social, mas suas aposentadorias foram responsáveis por 17,3% do déficit previdenciário do ano passado.

O valor pago a esses funcionários (R$ 123,7 bilhões) seria suficiente para bancar 64% do regime da Previdência rural, que tem atualmente nove milhões de beneficiados.

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"Depois do estudo, fica claro que certos grupos estão tendo benefícios discrepantes. Não são todos, mas certos grupos do serviço público ganham uma fortuna, muito mais do que o restante da população", disse a presidente do instituto, Priscila Pereira Pinto.

Orçamento. Ainda de acordo com o relatório distribuído ontem aos deputados, a previdência demandou 54,8% dos gastos do governo federal no ano passado. O montante equivale a 5,8 vezes o total do gasto do governo com Saúde e 6,5 vezes ao da Educação. Para 2019, a Lei de Diretrizes Orçamentárias (LDO) previa que o valor destinado à Previdência alcançasse R$ 721,1 bilhões.

"O programa (previdenciário) é importantíssimo, mas está desequilibrado. Se não segurar, vai implodir", acrescentou Priscila.

O déficit previdenciário terminou 2018 em R$ 265,2 bilhões. O desequilíbrio no sistema ocorre há 22 anos, mas a situação se deteriorou de forma mais intensa em 2015, com a queda das receitas decorrente da recessão.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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