Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Economia

Na indústria, só três setores voltaram ao nível pré-crise

22 abr 2019 às 11:40
Por: Estadão Conteúdo

A indústria de transformação brasileira começou o ano em um nível de ociosidade alarmante. No primeiro trimestre, a maioria dos segmentos industriais trabalhou ocupando uma parcela do potencial produtivo das fábricas abaixo da média histórica.

Apenas dois de 15 segmentos avaliados, o farmacêutico e o de papel e celulose, usaram a capacidade de produção de suas fábricas em níveis considerados elevados, isto é, acima da média histórica, enquanto a indústria do vestuário registrou ocupação em níveis considerados normais.

Os resultados estão num levantamento feito pelo Instituto Brasileiro de Economia (Ibre), da Fundação Getulio Vargas (FGV), a pedido do jornal O Estado de S. Paulo, para saber como anda a ociosidade por segmento. Ou seja, quanto os fabricantes estão desperdiçando do seu capital gasto na compra de máquinas, equipamentos e até para erguer galpões industriais que estão subaproveitados.

"Continuamos com muita ociosidade, o que retrata o ritmo lento da economia. Por isso a indústria não tem necessidade de investir", diz Aloísio Campelo, responsável pelo levantamento.

O estudo mostra que a indústria de transformação usou, no primeiro trimestre, 74,6% do seu potencial. Essa marca está abaixo da média histórica, de 81%. Quando se avalia a ocupação da indústria por categorias de uso, todas utilizaram, no período analisado, uma fatia menor da capacidade produtiva de suas fábricas do que no passado.

Outras notícias

Bolsa bate recorde e dólar cai para R$ 5,17 com fim de tarifaço

Dezenove estados e DF têm em 2025 o menor desemprego já registrado

Suprema Corte dos EUA derruba tarifaço imposto por Trump

A maior diferença entre o nível de utilização da capacidade atual e a média histórica, descontadas as variações sazonais, ocorre nos fabricantes de bens de capital, que no primeiro trimestre estava 10,1 pontos abaixo da média histórica. Em seguida aparecem os bens intermediários (-6,1 pontos) e os bens duráveis (- 4,7 pontos).

Na saída da recessão em 2017, quando o produto interno bruto (PIB) voltou a ser positivo, a indústria teve uma retomada mais rápida, comparada a outros setores. Entre os fatores que alavancaram a retomada estavam o aumento das exportações para a Argentina, a liberação de recursos do FGTS - que foram direcionados para a compra de bens duráveis - e o crescimento do agronegócio, que demandou mais máquinas e impulsionou a indústria do setor.

A partir do segundo trimestre de 2018, porém, o quadro mudou. A greve dos caminhoneiros, a recessão argentina e a incerteza eleitoral tiraram fôlego da recuperação. Campelo acrescenta a esse quadro o enfraquecimento da demanda interna.

Sem arranque

"A atividade produtiva está andando de lado, principalmente na indústria, desde julho do ano passado. A economia está sem dinâmica", afirma o gerente de Política Econômica da Confederação Nacional da Indústria (CNI), Flávio Castelo Branco. Recentemente, a CNI cortou a projeção de crescimento do PIB industrial para este ano de 3,3% para 1,1%. Em 2018, o PIB industrial cresceu 0,6%, depois de ter caído 0,5% no ano anterior.

Para Castelo Branco, a economia brasileira saiu da recessão, mas mergulhou num ciclo de semi estagnação por conta do desemprego elevado e das condições financeiras dos brasileiros, que afetaram as vendas e o faturamento das indústrias. "Com isso, hoje as indústrias não precisam ampliar o uso da capacidade instalada", diz.

Essa folga na capacidade que dispensa investimentos é, na opinião de Castelo Branco, outro fator limitante ao arranque da economia. Isso porque os investimentos em novas fábricas geram contratações e gastos que impulsionam a atividade.

A expectativa, diz ele, era que a atividade começasse o ano em ritmo mais acelerado por causa das reformas previstas. Mas esse processo está mais complexo e demorado. "O tempo político não consegue ter a urgência do tempo econômico."

Nichos

O levantamento da FGV mostra que apenas as indústrias de papel e celulose e farmacêutica estão com ocupação da capacidade acima da média. O primeiro está sendo puxado pela celulose, que é exportada e tem competitividade no mercado internacional.

"As fábricas estão trabalhando a plena carga e tendo ótimos resultados", afirma o vice-presidente da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Fiesp), José Ricardo Roriz Coelho. No caso do setor farmacêutico, o consumo resiste, pois remédio é um produto básico pouco afetado pelo ritmo da economia.

Outro impacto da ociosidade elevada recai sobre o capital de giro das empresas, observa Roriz Coelho. Quando as indústrias estão com ociosidade elevada, as margens de ganho ficam comprimidas porque as empresas não estão remunerando seus ativos fixos (máquinas, por exemplo). "Descapitalizadas, as indústrias vão ter problemas de capital de giro quando o mercado retomar", diz.

Saber quando a atividade da indústria voltará a acelerar é a grande incógnita para os empresários do setor. Para o vice-presidente da Fiesp, não há nenhum indicativo de que o mercado vá melhorar nos próximos seis meses. Ele argumenta que os produtos brasileiros têm problemas de competitividade no mercado externo. "A Apex (agência de promoção às exportações) foi desmontada", diz.

Do ponto de vista do mercado interno, o recuo do desemprego depende da aprovação das reformas, acrescenta. "Sem a diminuição do desemprego não tem alta do consumo nem melhora da ocupação das fábricas. É um nó difícil de desatar." As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

Veja também

Relacionadas

Economia
Imagem de destaque

Azul fecha acordo de US$ 200 milhões com American e United Airlines

Economia
Imagem de destaque

Receita exonera auditor alvo de operação da Polícia Federal

Economia

Alckmin anuncia regulamentação de salvaguardas em acordos comerciais

Economia

Tesouro paga R$ 257,7 mi em dívidas de estados e municípios em janeiro

Mais Lidas

Cidade
Cascavel e região

Adolescente pede ajuda após ameaças e agressões dentro de casa em Cascavel

Cidade
Londrina e região

Homem é esfaqueado após ter sido flagrado com esposa de outro dentro de carro na ZL

Cidade
Londrina e região

Prefeitura prepara plano inédito para população em situação de rua em Londrina

Cidade
Londrina e região

Boca Aberta é preso após invadir Prefeitura de Cambé durante protesto

Cidade
Londrina e região

Família denuncia HU de Londrina por suposta negligência após cirurgia de jovem

Podcasts

Podcast Pod Fala com a Tai | EP 9 | Os Bastidores do Mundo da Música | Orlando Baron

Podcast Arte do Sabor | EP 12 | Como harmonizar com azeite? | Flávio Fontana

Podcast Café Com Edu Granado | EP 53 | A Nobreza da Advocacia | Victor Rocha

Tarobá © 2024 - Todos os direitos reservados.