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Corpo de júri de Manvailer é composto por sete homens

04 mai 2021 às 13:43
Por: Redação Tarobá News

A sessão do primeiro dia do júri popular de Luis Felipe Manvailer foi aberta às 9h08 desta terça (4). O réu preso chegou acompanhado dos advogados por volta das 8h45. Um pano preto impediu que a imprensa visse a saída dele da viatura do Depen. Por volta de 9h38 houve o sorteio do Conselho de Sentença. Após defesa e acusação rejeitarem alguns nomes, o corpo do júri ficou composto por sete homens com idades entre 25 e 50 anos. Desta vez, os ânimos estavam mais contidos. Ainda conforme as informações, duas testemunhas apresentaram atestado médico e foram dispensadas. Assim, a apresentação dos vídeos com os depoimentos da fase de instrução de Rodrigo Sereno Crema e Fernanda Ayres de Proença Sanchez devem ocorrer. O juiz, Adriano Scussiatto Eyng, afirmou aos jurados que “cabe a eles a parte mais importante, por serem os juízes de fato”.

PRIMEIRA TESTEMUNHA

O primeiro a depor foi o delegado de Polícia Civil Bruno Maciozek. Ele também apresentou atestado médico, mas compareceu ao Fórum para depor. No dia da morte de Tatiane, ele era o delegado titular da Delegacia da Mulher. Conforme o depoimento, Bruno não estava na cidade no dia da morte. Então no dia seguinte, analisou as imagens das câmeras de segurança. “Fiz uma abordagem cronológica desde o momento em que chegaram no prédio. Soube que o casal estava em um bar com vários amigos. Ouvi todas essas pessoas. Contaram que era aniversário dele. Mensagens de celular teriam iniciado uma briga entre o casal. Tive 10 dias para concluir o inquérito, pois Manvailer já estava preso”.

ESGANADURA

A acusação questionou a testemunha se “seria normal o esposo deixar o local, após o suicídio da esposa”. O delegado respondeu negativamente e que os familiares, nestas situações, geralmente estão no local. Além disso, Bruno confirmou visíveis marcadas de dedos na região do pescoço, típicas de esganadura. No momento em que as imagens das marcas são mostradas, Luis Felipe Manvailer abaixa a cabeça. O delegado então simula como ocorre uma esganadura. Segundo Bruno, “estas marca tratam-se de indícios de homicídio”. Desse modo, conforme a perícia, houve fratura de um osso do pescoço no momento da possível esganadura. Além de outras fraturas no corpo da vítima, segundo o laudo da necrópsia. Desta forma, a entrega desse laudo de necropsia ocorreu após a conclusão do inquérito, pois o IML disse que não seria possível concluir em 10 dias. Ainda conforme o delegado, outras testemunhas do processo já haviam sido ouvidas pelo delegado de plantão no dia do crime. Duas delas, eram vizinhas do casal. Uma dessas pessoas afirmou que ouviu gritos de socorro de Tatiane. Outra testemunha relatou que viu a vítima na sacada, chorando. Além disso, teria tentado ligar para a polícia, e de dentro do apartamento, ouviu o barulho da queda do corpo. Após a recuperação de algumas imagens do dia da morte da advogada, o delegado afirmou que nada aponta para suicídio, além da versão do réu.

JÚRI

O júri foi remarcado após o cancelamento da última sessão no dia 10 de fevereiro (https://portalrsn.com.br/noticias/defesa-de-manvailer-abandonaplenario-e-juiz-cancela-julgamento/), quando a defesa do réu abandonou o plenário após o júri ter negado a utilização de materiais que não estavam nos autos do processo (https://portalrsn.com.br/noticias/defesa-de-manvailer-abandona-plenario-e-juiz-cancela-julgamento/). No momento, o juiz considerou o ato da defesa como “abandono injustificado de plenário”. Assim, determinou multa 100 salários mínimos para cada advogado de defesa. Contudo, a 1ª Câmara Criminal Tribunal do Justiça do Paraná (TJ-PR) retirou por unanimidade na quinta (29), a multa aplicada (https://portalrsn.com.br/noticias/justica-retira-multa-de-advogados-de-defesa-de-luis-felipe-manvailer/). Além disso, o juiz Adriano Scussiatto da 1ª Vara Criminal do Tribunal do Júri de Guarapuava definiu a nova data. Esta é a terceira vez que o júri popular de Manvailer é remarcado. Em um primeiro momento, estava agendado para 3 e 4 de dezembro de 2020. No entanto, após um advogado da defesa do réu ter diagnóstico positivo para covid-19, o julgamento passou por adiamento para 25 de janeiro. Nesta data remarcada, a defesa de Manvailer afirmou incompatibilidade com o dia. E por fim, o júri que ocorreria no dia 10 de fevereiro foi suspenso.

O CASO 

A advogada Tatiane Spitzner foi encontrada morta no apartamento em que morava com o companheiro, depois de ter sido agredida e sofrido uma queda do quarto andar do prédio na cidade de Guarapuava. Na noite do fato, em 22 de julho de 2018, Tatiane e o marido, Luiz Felipe Manvailler, comemoravam o aniversário dele em uma boate da cidade. O casal teve um desentendimento, e câmeras de segurança mostram Tatiane sendo agredida primeiro dentro do carro, na sequência na garagem, e também no elevador do condomínio. Após as brigas, vizinhos chamaram a polícia falando que uma mulher havia se jogado, ou sido jogada da sacada do prédio. Luiz Felipe, que após a queda ainda levou o corpo da mulher sem vida de volta para o apartamento, não estava no local quando os policiais chegaram. Ele foi preso horas depois após se envolver em um acidente próximo a fronteira com o Paraguai. A defesa do réu alega que Tatiane se jogou da sacada naquela noite. Já o Ministério Público afirma que Tatiane morreu anteriormente, por asfixia mecânica, comprovada por laudos. Manvailer é acusado de homicídio qualificado e fraude processual, com qualificadora de feminicídio.

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