O acampamento improvisado foi montado perto do fundo de vale do ribeirão Quati, na avenida Winston Churchil. São 2 barracas de lona. Cada uma com 3 famílias. Crianças também. Josilene veio com os 2 filhos menores. Os maiores ficaram na aldeia em São Jerônimo da Serra. É a 1ª vez que arrisca a sorte. Mas conta que todo fim de ano, várias famílias de lá costumam vir a Londrina.
Segundo eles, cerca de 20 famílias vieram de São Jerônimo da Serra nesse domingo, num ônibus cedido pela prefeitura. E já têm data para volta: no dia 26 de dezembro, um outro ônibus vem buscar o grupo. A expectativa é durante esse tempo vender plantas e artesanato e ganhar um dinheirinho extra no fim de ano. Josilene diz que os 300 reais por mês do bolsa família são insuficientes para manter a família, daí a necessidade de sair da aldeia.
Em 2 dias, ela vendeu 10 mudas de orquídeas. Cada uma a 10 reais. É com o dinheiro da venda de plantas e de cestos, balaios e outros tipos de artesanato, que os índios se mantêm por aqui. Além de doações da vizinhança. Outra parte do grupo montou acampamento na avenida Lucilio de Held. Mais 13 famílias. Homens, mulheres e muitas crianças. Sebastião diz que pagaram R$ 300 pela viagem de ônibus de São Jerônimo da Serra a Londrina.
Apesar do custo, conta que vale a pena deixar tudo e se arriscar noutra cidade. É o segundo ano que faz essa viagem. A chegada de índios de aldeias de outra cidade surpreendeu a secretaria de assistência social, que faz um acompanhamento apenas das famílias da reserva do Apucaraninha. São cerca de 320. A preocupação maior é com o aumento da mendicância. Equipes foram orientadas a fazer uma abordagem e descobrir exatamente de onde vêm, quantos são e quanto tempo vão ficar na cidade. Além disso, deve ser montada uma estratégia de monitoramento.
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