Todos os locais
Todos os locais

Selecione a região

Instagram Londrina
Instagram Cascavel
Paraná

Integração pecuária e cultivo florestal aumenta produtividade

04 nov 2020 às 09:30
Por: Redação Tarobá News

Dobrar a lotação de animais por área, quase triplicar a produtividade do rebanho, reduzir o tempo de abate e ainda produzir uma renda extra com a venda de madeira. Estes resultados foram alcançados após o início do plantio de eucalipto em propriedades rurais da região de Paranavaí.

O plantio de eucalipto é uma prática conhecida como silvipastoril, que consiste em plantar as árvores dentro da área de pastagem, o que pode melhorar as condições de bem-estar animal e aumentar os lucros da pecuária de corte.

De acordo com Luis Fernando Brondani, zootecnista do Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – Iapar-Emater (IDR-Paraná) e coordenador estadual do Projeto Carne e Madeira de Qualidade, o sistema de integração madeira-pecuária traz diversos ganhos para o produtor. "As árvores de eucalipto dão conforto térmico para o rebanho. O gado não gasta energia para se proteger do calor que é intenso na região durantes os meses do verão. Além disso, gera uma renda extra, porque o eucalipto produz madeira de qualidade, inclusive para a fabricação de móveis", explicou Brondani.

Ele acrescentou que a produtividade média da pecuária de corte no Paraná é de 135 kg/ha/ano, enquanto nas Unidades de Referência (URs) do projeto Carne-Madeira de Qualidade essa média chega a 398 kg/ha/ano. A lotação também é maior, a média no Estado é de um animal/hectare, contra 2,3 animais nas URs.

Esta prática é feita nas fazendas "Marília", "Luar do Sertão" e "Santa Luzia", que ficam em cidades próximas a Paranavaí. Os resultados são tão notáveis que os profissionais do IDR-Paraná estão levando o conhecimento obtido nessas propriedades para outros produtores da região, interessados em melhorar os índices produtivos da pecuária de corte.

Outras notícias

Criança é atropelada por carro da Secretaria da Saúde no Paraná; veja o flagrante

Bombeiros salvam bebê prematuro em resgate aéreo no Litoral

Casal com crianças é preso após tentativa de fuga no oeste do Paraná

ANIMAIS PRECOCES - Além do olhar cuidadoso do pecuarista Auro Kaid Bazo, proprietário das fazendas Marília e Luar do Sertão, em Loanda, o que vem engordando os animais que ele cria é um bom pasto, trabalho que já tem algum tempo. Em 1997, ele passou a participar do projeto Pecuária de Curta Duração e há três anos instalou uma Unidade de Referência do Projeto Carne e Madeira de Qualidade, com a orientação dos técnicos do Instituto.

Nas duas fazendas, que são vizinhas, o eucalipto divide espaço na paisagem com as pastagens. As áreas com solo de baixa qualidade são reformadas com a cultura da mandioca.

Na área de 473,5 hectares, Bazo mantém um rebanho de 1.100 cabeças de animais meio-sangue angus. Além da área de pasto e do cultivo de mandioca, o pecuarista conserva 26,6 ha de reserva legal com mata nativa.

Bazo é um especialista na criação de gado precoce. Os animais vão para o abate com idade em torno de 20 meses, contra a média estadual de 31 meses. No ano passado, as boas condições do pasto permitiram uma produção de carne de 398,27 kg por hectare nas duas fazendas, quase o triplo da média estadual. A renda bruta chegou a R$ 4.706,84 por hectare/ano.

O extensionista e médico veterinário José Antonio Azevedo Osório acompanha o trabalho nas fazendas de Bazo. Ele afirma que o sistema silvipastoril propicia um ambiente mais favorável para os animais. No verão, o rebanho tem a sombra das árvores e quando ocorre alguma geada o pasto não é prejudicado. Como o pasto tem mais qualidade é possível aumentar a lotação de animais.

"Na região de Paranavaí, a média é de 1,4 cabeça por hectare de pasto. Nas URs, a lotação é de 2,3 cabeças por hectare. Ainda estamos em processo de implantação do sistema e podemos chegar a cinco animais por hectare. Tudo vai depender de um bom manejo e adubação das áreas de pasto", explica Osório.

MADEIRA PAGA ADUBAÇÃO - Antonio dos Santos Pires divide com o filho, Silvio Pires, a administração da fazenda Santa Luzia, em Nova Londrina. Eles também aceitaram o desafio de cultivar eucalipto no pasto e implantaram uma Unidade de Referência do Projeto Carne e Madeira de Qualidade na fazenda.

Especializados na cria, recria e engorda dos animais, os proprietários já plantaram eucalipto em 75% dos 174,24 hectares de pastagens. Periodicamente é feito o raleio das árvores, que é a retirada de algumas árvores para que as que permanecem se desenvolvam melhor, e esta madeira é vendida como lenha na região. As árvores mais antigas, mais valorizadas, serão futuramente vendidas para as indústrias de móveis ou para a fabricação de dormentes.

Osório lembra que os proprietários têm usado os recursos da venda do eucalipto para comprar adubo que é aplicado nas áreas de pastagem. Cem dias antes do abate, os animais são confinados para fase final do processo de engorda. As fêmeas vão para o abate com 13 meses de idade e os machos, 15 meses. É o gado hiper-precoce.

Com o aumento de lotação e melhoria dos pastos, o rendimento do rebanho também melhorou. A UR de Nova Londrina produz 247,4 quilos de carne por hectare de pasto. No ano passado os pecuaristas comercializaram 3.591,8 arrobas de carne.

UNIDADES DE REFERÊNCIA - São propriedades rurais trabalhadas pelo IDR-Paraná que recebem maior frequência de assistência técnica, recebem e validam tecnologias e produzem indicadores técnicos e econômicos confiáveis. Servem também de modelo para agricultores da região, e por isso recebem grande parte dos eventos de capacitação do Instituto.

Nessas três propriedades, foram implantadas Unidades de Referência (UR) do Projeto Carne e Madeira de Qualidade do IDR-Paraná em 2017. A iniciativa faz parte de um convênio firmado entre o Instituto e o Ministério da Agricultura e do Abastecimento para fomentar estratégias de extensão para médios produtores. Os recursos do Ministério foram aplicados na capacitação de técnicos e produtores.

Luis Fernando Brondani informou que na região Noroeste do Estado existem quinze URs do projeto com resultados semelhantes. Outras oito unidades do projeto serão instaladas, ainda este ano, nas regiões de Campo Mourão, Toledo e Cascavel.


AEN-PR

Veja também

Relacionadas

Paraná
Imagem de destaque

PRF apreende mais de 3,3 toneladas de maconha em Floresta

Paraná
Imagem de destaque

Incêndio em carreta interdita BR-376 na descida da serra entre o Paraná e Santa Catarina

Paraná

Tombamento de caminhão deixa uma pessoa gravemente ferida na BR-476, na Lapa

Paraná

Motorista embriagado atropela pedestre na BR-376 em Maringá

Mais Lidas

Brasil e mundo
Brasil

Jovem de 19 anos é internado após desodorante ficar preso no ânus; veja foto

Cidade
Londrina e região

Vereador de Ibiporã se manifesta após acidente e alega desorientação por automedicação

Cidade
Londrina e região

Suspeita de embriaguez: vídeo mostra vereador cambaleando e caindo após acidente na BR-369

Cidade
Londrina e região

Polícia avança em investigação de latrocínio e ouve terceiro suspeito da morte de motorista

Cidade
Londrina e região

PRF instala novos radares e áreas exclusivas para motos na BR-369 após alta de mortes

Podcasts

Podcast Falando de Gestão | EP 45 | Evolução e Práticas do ESG

Podcast Conversa com Nassif | EP 11 | Comportamento e Neurociência | Eliane Sato

Podcast PodBrevis | EP 3 | Registro de Imóveis | Rosângela Lantmann e Genivaldo Soares

Tarobá © 2024 - Todos os direitos reservados.