A lei Maria da Penha completa 12 anos nesta quarta-feira (8). Isso possibilitou uma atuação específica da Justiça nos crimes contra a mulher, e mesmo com mais mecanismos de proteção, os casos de violência e até feminicídios são frequentes. Por isso a importância de trabalhar na prevenção.
Linda e independente, Tatiana Spitzer era advogada e digna de admiração. Morreu em Guarapuava, no prédio em que morava, depois de ser espancada durante 20 minutos. O autor das agressões foi o próprio marido. O que leva mulheres assim, tão fortes, a perder a auto-estima e tolerar em silêncio uma escalada de agressões físicas e morais?
As imagens perturbadoras reveladas pelas câmeras de segurança desmascaram o marido violento e manipulador. Em Londrina, outro caso emblemático é o do guarda Ricardo Felippe, que matou a tiros o filho e o pai de uma ex-namorada e a melhor amiga de outra companheira.
A promotora da Vara Criminal especializada em violência doméstica, Suzana de Lacerda, alerta para os sinais do comportamento possessivo que podem se transformar em prisão psicológica.
Há doze anos foi criada a lei Maria da Penha, para proteger as vítimas de violência doméstica e punir os agressores. A simples existência de varas judiciais especializadas nesses casos deu visibilidade para crimes que eram cometidos e abafados entre quatro paredes.
Em Londrina, a Vara Maria da Penha existe desde 2010. Quase 9 mil processos de violência doméstica correm no local. As ações penais passam de 3 mil, algumas já com sentença contra os agressores. Alguns cumprem pena participando de grupos terapêuticos, segundo a juiza Zilda Romero.
A Justiça já concedeu mais de 2800 medidas de proteção em favor de mulheres em Londrina. Um passo importante, mas que precisa ser acompanhado de prevenção.
(Reportagem: Livia de Oliveira/ Fábio Lainetti)