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Paraná

Paraná inicia sistema de transfusão de sangue nos resgates aeromédicos

14 out 2022 às 16:51
Por: Agência Estadual de Notícias
Foto: SESA

O serviço aeromédico da Secretaria de Estado da Saúde da base de Maringá deve iniciar na próxima segunda-feira (17) um projeto inovador e experimental para realização de transfusões de sangue em pacientes graves no local da ocorrência, mesmo antes de serem encaminhados ao hospital. Trata-se, na prática, de um sistema que permite esse tipo de procedimento já no local do acidente ou no helicóptero, durante o percurso até o internamento, o que hoje não é possível.


Foi instalada, dentro da base aeromédica de Maringá, uma sala somente para o acondicionamento das bolsas de sangue tipo “O-”, considerado universal, ou seja, que pode ser transfundido em qualquer pessoa, até o momento dos acionamentos, que é quando serão colocadas dentro de uma caixa específica para este transporte, e enviadas até o local da ocorrência.


Segundo o projeto, as bolsas que não forem utilizadas no período de até quatro dias serão devolvidas ao Hemocentro para que sejam utilizadas por outros pacientes, como já é realizado rotineiramente. A validade desta bolsa de sangue é de até 42 dias.


A aquisição dos equipamentos e reforma na estrutura ficou sob responsabilidade da empresa Helisul, contratada pelo Governo do Estado para disponibilizar as aeronaves e o hangar, com recursos repassados mensalmente pela Sesa para manutenção do serviço. Após o atendimento pelo serviço aeromédico esses pacientes transfundidos serão encaminhados necessariamente para o HUM, referência para a continuidade dos procedimentos.


A iniciativa visa dar maior sobrevida aos pacientes vítimas de acidentes graves, principalmente em casos de hemorragia. No Brasil, este serviço de transfusões fora da unidade hospitalar foi implantado inicialmente no município de Bragança Paulista, em São Paulo, que utiliza bolsas de sangue em ambulâncias do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e, também no estado de Santa Catarina, que iniciou recentemente o sistema no helicóptero dos bombeiros e do Samu.

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“O Paraná é o segundo estado e a terceira região a implantar essa modalidade, mas é o primeiro que disponibiliza este serviço aeromédico integralmente vinculado à saúde pública, seguindo critérios técnicos de qualidade internacionais e os protocolos de hemosegurança, que incluem desde o cuidado e controle no transporte, com monitoramento das bolsas por GPS, até a rastreabilidade deste sangue após a administração no paciente”, afirmou o secretário de Estado da Saúde, Beto Preto.


O projeto experimental estava sendo estruturado há dois anos e possui parceria com o Hemocentro Regional de Maringá, também vinculado à Sesa, e com o Hospital Universitário Regional de Maringá (HUM). A ideia é expandir futuramente este serviço para as outras quatro bases aeromédicas do Estado, localizadas em Curitiba, Ponta Grossa, Cascavel e Londrina.


A implantação do projeto respeita todas as legislações e protocolos necessários e exigiu uma reorganização de equipe na base, que conta atualmente com 21 profissionais, entre médicos, enfermeiros, pilotos e mecânicos. Todas as medidas são necessárias para a garantia da qualidade deste serviço, que é fundamental para a área de urgência e emergência.


“A maior causa de mortes precoces em traumas é o sangramento, e a reposição desse sangue por transfusão reduz significativamente o risco de agravamento do quadro clínico e óbito do paciente. Esta modalidade de tratamento é respaldada na literatura contemporânea do trauma e nos guidelines internacionais da especialidade”, complementou o diretor de Gestão em Saúde da Sesa, Vinícius Filipak.


“Nossas equipes treinaram esses profissionais do serviço aeromédico para capacitar e garantir que todo o processo transfusional seja realizado de acordo com os protocolos exigidos ,garantindo a rastreabilidade total e necessidade de cada paciente. Este protocolo também exige que uma unidade hospitalar seja a referência para os pacientes atendidos com o sangue, que neste caso será o Hospital Universitário da região”, disse a diretora do Centro de Hematologia e Hemoterapia do Paraná (Hemepar), Liana Labres de Souza.

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