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Lula teme derrota e vai chamar Alcolumbre para uma reunião antes da sabatina de Jorge Messias

A reunião que Lula tenta costurar com Alcolumbre tem como objetivo reduzir a temperatura e estabelecer algum nível de cooperação para a sabatina
27 nov 2025 às 18:01
Por: Band - Túlio Amâncio
Foto: José Cruz/Agência Brasil

A indicação do advogado-geral da União, Jorge Messias, ao Supremo Tribunal Federal acentuou tensões entre o Palácio do Planalto e o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP). 


Diante do risco concreto de derrota na votação em plenário, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva decidiu buscar uma reunião reservada com Alcolumbre antes da sabatina marcada para 10 de dezembro, numa tentativa de conter desgastes e recompor pontes políticas.


A resistência do senador não é nova, mas ganhou contornos mais explícitos após o anúncio da indicação. Alcolumbre, responsável por comandar a Comissão de Constituição e Justiça — etapa decisiva para qualquer nome aspirante ao STF — vinha defendendo nos bastidores que o escolhido fosse o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG), seu aliado político e nome que ampliaria sua influência institucional. 


A escolha de Messias contrariou esse movimento, e o senador fez questão de demonstrar incômodo de forma pública. Em seu primeiro comentário após a indicação, afirmou: “Se eu pudesse, eu faria a indicação”, frase interpretada como um recado direto ao Planalto sobre a insatisfação com o processo.


O mal-estar aumentou com relatos de que Alcolumbre teria tomado conhecimento da decisão presidencial “pela imprensa”, o que o levou a interpretar a escolha como uma desconsideração ao seu papel no Senado. 

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O episódio, segundo pessoas próximas, deixou o senador visivelmente abalado e provocou reações de alta temperatura política. Em meio à crise, ele acelerou a tramitação de uma pauta de grande impacto fiscal — vista por aliados do governo como um gesto de pressão — e passou a se movimentar de forma a sinalizar que a sabatina não será mero protocolo.


O Planalto acompanha com preocupação a contagem de votos. Embora Messias seja visto como um nome técnico e leal ao governo, corre o risco de não atingir os 41 votos necessários. Levantamentos internos apontam que ele teria, hoje, apoio seguro de pouco mais de duas dezenas de senadores, cenário insuficiente para evitar uma derrota constrangedora para Lula. 


O cálculo político considera ainda que parte dos senadores de centro — tradicionalmente decisivos para formar maioria — está inclinada a demonstrar independência em relação ao Executivo.


A situação expôs fissuras na relação entre Lula e Alcolumbre, até então aliados frequentes em votações cruciais. O presidente do Senado esperava que o governo concluísse a escolha em sintonia com sua ala política, garantindo-lhe prestígio no tabuleiro institucional. 


Ao optar por Messias, Lula privilegiou a proximidade com a AGU, mas abriu espaço para um desgaste que coloca em xeque não apenas a indicação, mas também a articulação futura com o Congresso, especialmente às vésperas do ciclo eleitoral de 2026.


A reunião que Lula tenta costurar com Alcolumbre tem como objetivo reduzir a temperatura e estabelecer algum nível de cooperação para a sabatina. 


No governo, aliados reconhecem que a indicação virou um teste de força entre os Poderes e que um revés agora poderia comprometer o capital político do presidente em outras pautas sensíveis. 


Para Alcolumbre, a disputa envolve mais do que a aprovação de um nome: trata-se de reafirmar sua centralidade no Senado e demonstrar que não aceitará ser marginalizado nas grandes decisões institucionais.


Com a sabatina de Messias se aproximando, o ambiente tende a ficar ainda mais tenso. Sem acordo entre Planalto e Senado, a indicação corre risco real — e a crise pode se transformar no episódio de maior desgaste entre Lula e sua base parlamentar desde o início do mandato.

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