O abuso contra crianças voltou a ganhar atenção nos últimos dias. A prisão de um cabeleireiro em Ibiporã, na semana passada, acusado de crimes sexuais, reacendeu o alerta entre pais e responsáveis.
Inicialmente, três vítimas foram identificadas, todas com menos de 14 anos na época dos fatos. As investigações apontam que os crimes teriam ocorrido ao longo de vários anos, com início quando algumas vítimas tinham entre 8 e 9 anos. Após a prisão, outras cinco vítimas procuraram a delegacia.
O assunto, considerado delicado, também precisa ser tratado do ponto de vista psicológico. Segundo a psicóloga Alessandra Rocha, com 20 anos de experiência na área, o abusador geralmente não é um estranho, mas alguém do convívio familiar ou pessoas de confiança da família, como vizinhos, professores ou profissionais de serviços.
A especialista orienta que a prevenção deve começar cedo, por volta dos 2 ou 3 anos, ensinando as crianças a identificar as partes íntimas do corpo e reforçando que ninguém pode tocá-las.
Pais e responsáveis também devem ficar atentos a sinais como mudanças de comportamento, isolamento, pesadelos e dificuldades para dormir. Em adolescentes, o alerta pode aparecer em forma de isolamento social, irritação constante ou autolesão.
A psicóloga também destaca que o trauma pode permanecer por décadas e que o acompanhamento psicológico é fundamental. Para ajudar no diálogo com as crianças, ela apresentou o livro O Segredo da Tartanina, que aborda o tema de forma acessível.