A ameaça do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor tarifas a países europeus caso a Groenlândia não seja vendida aos EUA abriu uma nova crise nas relações entre americanos e europeus. O tema voltou ao centro do debate após Trump demonstrar novamente interesse pela maior ilha do mundo, logo depois da operação americana que resultou na captura de Nicolás Maduro, em 3 de janeiro.
Nas redes sociais, o assunto ganhou repercussão global, com especulações que chegam a mencionar uma possível Terceira Guerra Mundial. Segundo o professor de Direito Internacional da PUCPR, Rudá Baptista, qualquer ocupação territorial contra a vontade de outro país é ilegal perante o direito internacional e a ONU.
Rudá Baptista explica que, embora Trump utilize inicialmente a pressão tarifária como instrumento político, há receio de uma postura mais agressiva caso a União Europeia e a Dinamarca mantenham a recusa. Para o especialista, o direito internacional não admite invasões ou imposições territoriais unilaterais, o que torna o impasse diplomático ainda mais sensível.
De acordo com o professor, o interesse dos Estados Unidos na Groenlândia envolve fatores estratégicos, como a possibilidade de instalação de um sistema de defesa antimísseis conhecido como “domo de ferro”, além da presença de minerais críticos para a produção de chips e outras tecnologias. Trump também justifica a necessidade do território como forma de proteção contra eventuais avanços da Rússia e da China na região.
Ao analisar possíveis impactos econômicos, Rudá Baptista afirma que tarifas impostas à Europa podem, teoricamente, beneficiar o Brasil, caso os Estados Unidos passem a importar produtos brasileiros que se tornem mais competitivos. Apesar da repercussão alarmista nas redes sociais, o professor descarta a possibilidade de uma Terceira Guerra Mundial, ressaltando que as ações de Trump são pontuais e que as organizações internacionais criadas após 1945 continuam atuando para evitar conflitos globais.