Agro

Agro responde por 26,3% do mercado de trabalho nacional

06 mai 2026 às 16:22

O agronegócio foi responsável, no ano passado, por empregar quase um terço dos brasileiros. Um estudo realizado pelo Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Esalq/USP, em parceria com a Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), divulgados nesta quarta-feira (6), mostram que o setor empregou 28,4 milhões de trabalhadores - 26,3% de todos os trabalhadores do país.


O índice supera a participação observada em 2024, que era de 26,1%. Em termos absolutos, o número de pessoas atuando no agro avançou 2,2% no último ano, o que representa um acréscimo de pouco mais de 600 mil trabalhadores em relação ao período anterior.


Para efeito de comparação, o mercado de trabalho total do Brasil cresceu 1,7% no mesmo período. Isso demonstra que o agronegócio segue expandindo sua força de trabalho em um ritmo superior à média nacional. Segundo o estudo do Cepea/CNA, o desempenho recorde foi impulsionado principalmente pelo segmento de agrosserviços. Este braço do setor — que envolve atividades de apoio fora das fazendas, como transporte e consultoria — registrou um aumento expressivo de 6,1% no número de trabalhadores.


A expansão dos agrosserviços está diretamente ligada à retomada das atividades agroindustriais. Esse movimento reflete transformações estruturais que abrangem desde o processamento de produtos agropecuários até a produção de insumos. Entende-se por insumos todos os materiais e equipamentos necessários para a produção, como sementes, fertilizantes e maquinário.


Além disso, o estudo aponta que a produção agropecuária "dentro da porteira" renovou recordes de safras e de abates de animais. Esse sucesso produtivo ampliou a demanda por serviços de suporte e logística, intensificando a absorção de mão de obra para escoar e gerenciar a produção nacional. O segmento de insumos avançou 3,4% em 2025. O relatório mostra que as indústrias de medicamentos veterinários e maquinário agrícola foram fundamentais para este resultado positivo. A agroindústria, focada no processamento final dos produtos, cresceu 1,4%.


Houve, porém, um recuo de 1,1% no segmento primário, focado na produção direta no campo. O resultado reflete a queda do contingente na agricultura, em contraste com a relativa estabilidade mantida na pecuária brasileira.


Quem é o trabalhador do agro O perfil do trabalhador do campo também mostra evolução na escolaridade e na formalização. O número de empregados com carteira assinada subiu 4,6%, atingindo os maiores níveis da série histórica. Além disso, o número de profissionais com ensino superior no agronegócio saltou 8,3%.

A análise por gênero revela que a presença feminina continua avançando no setor de forma gradual e constante. O contingente de trabalhadoras mulheres no agronegócio cresceu 2,6% em 2025, o que representa um acréscimo de 278.046 pessoas.


Esse avanço feminino superou o aumento de 1,9% observado entre os trabalhadores homens no mesmo período. Os dados sinalizam uma mudança demográfica importante na mão de obra do agronegócio nacional, com maior qualificação e diversidade.

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